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Movimento AgroPorto lança agenda nacional para melhorar infraestrutura e reduzir custos logísticos

Carta de compromissos une setor agropecuário e portuário para defender investimentos, integração logística e políticas públicas de longo prazo

Por Eliane Alexandrino

Movimento AgroPorto lança agenda nacional para melhorar infraestrutura e reduzir custos logísticos Créditos: Divulgação

O Movimento AgroPorto deu um novo passo na construção de uma agenda nacional voltada ao fortalecimento da infraestrutura e da logística brasileira. Durante evento realizado na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), em Curitiba, foi assinada a Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto, documento que estabelece dez diretrizes estratégicas para ampliar a eficiência da infraestrutura nacional e impulsionar a competitividade do agronegócio e do comércio exterior.

A iniciativa representa uma articulação inédita entre a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA), aproximando dois setores considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico do país. O objetivo é transformar a infraestrutura em uma política de Estado, baseada em planejamento de longo prazo, segurança jurídica e ampliação dos investimentos públicos e privados.

A carta foi assinada pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Pedro Lupion, pelo deputado federal Tião Medeiros, coordenador do Movimento AgroPorto pelas frentes parlamentares, e pela deputada federal Daniela Reinehr. O documento simboliza o compromisso conjunto entre representantes do Legislativo e do setor produtivo na busca por soluções para os principais gargalos logísticos do Brasil.

De acordo com dados apresentados durante o encontro, o país investe atualmente cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual considerado insuficiente para acompanhar o crescimento da produção nacional. Especialistas apontam que seriam necessários investimentos equivalentes a pelo menos 4,5% do PIB para eliminar os déficits logísticos e garantir maior competitividade ao Brasil.

Os custos provocados pelas deficiências na infraestrutura também chamam atenção. Levantamento do Observatório do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) estima que somente em 2026 o país acumulará um sobrecusto de R$ 3,3 bilhões devido ao uso predominante do transporte rodoviário em corredores onde a movimentação de cargas poderia ser realizada por ferrovias, especialmente em projetos como a Ferrogrão e a EF-118. Na prática, isso representa perdas de aproximadamente R$ 106 por segundo em ineficiências logísticas.

Para os organizadores do movimento, esses números demonstram a necessidade de uma atuação coordenada entre os setores público e privado para ampliar a capacidade logística do país. Entre as prioridades definidas na Carta de Compromissos estão a melhoria dos acessos aos portos, ampliação da capacidade de armazenagem, fortalecimento da integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias, expansão da infraestrutura portuária, modernização do licenciamento ambiental, fortalecimento das agências reguladoras e garantia de maior segurança jurídica para novos investimentos.

Durante a cerimônia de assinatura, o deputado federal Tião Medeiros destacou que o Brasil já comprovou sua capacidade de produção e de conquista de mercados internacionais, mas precisa avançar na infraestrutura para manter esse crescimento.

Segundo o parlamentar, o grande desafio agora é garantir que a logística acompanhe o ritmo da produção nacional, permitindo que o país transforme seu potencial produtivo em vantagem competitiva de forma permanente.

Além da carta de compromissos, o Movimento AgroPorto anunciou a elaboração da Agenda AgroPorto 2026, que pretende reunir representantes do Congresso Nacional, do setor produtivo, especialistas e integrantes do Poder Executivo para discutir propostas voltadas ao desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

Entre as metas estabelecidas para os próximos meses estão a elaboração de uma Agenda Brasil para a Infraestrutura, com propostas de longo prazo para investimentos e integração logística; a ampliação da coalizão parlamentar, incorporando novas frentes e entidades representativas; o diálogo com os candidatos à Presidência da República para incluir a infraestrutura entre as prioridades dos programas de governo; e a construção de soluções técnicas consideradas viáveis para reduzir os gargalos logísticos enfrentados pelo país.

A expectativa é que esse trabalho resulte na apresentação de projetos de lei, aperfeiçoamentos regulatórios e ações coordenadas entre os diferentes níveis de governo, criando um ambiente mais favorável aos investimentos em infraestrutura e ao fortalecimento da competitividade brasileira.

Criado em abril de 2026, o Movimento AgroPorto conta com o apoio do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA). A proposta é consolidar um espaço permanente de diálogo entre o Parlamento, o setor produtivo, operadores logísticos e o Poder Executivo, buscando soluções estruturantes que reduzam o chamado Custo Brasil e ampliem a eficiência da logística nacional, considerada estratégica para o crescimento econômico e para a expansão das exportações brasileiras.


Foto: Divulgação 

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