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Metade da bancada do Paraná apoia emenda que pode atrasar fim da escala 6x1

Em meio às negociações, parlamentares da oposição e de partidos do Centrão protocolaram duas emendas que mudam pontos centrais da proposta

Por Gazeta do Paraná

Metade da bancada do Paraná apoia emenda que pode atrasar fim da escala 6x1 Créditos: Ricardo Rimoli / Câmara dos Deputados

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1 ganhou novos capítulos na Câmara dos Deputados com a apresentação de emendas que podem alterar de forma significativa a proposta em debate no Congresso Nacional. Entre as mudanças sugeridas estão a manutenção da carga semanal de 44 horas para atividades consideradas essenciais e um prazo de até dez anos para que a nova jornada passe a valer.

O tema voltou ao centro das discussões durante audiência pública realizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, dentro da programação do projeto Câmara pelo Brasil. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 tramita em comissão especial da Câmara e prevê alterações na duração máxima da jornada semanal de trabalho.

A proposta original, apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), estabelece a redução gradual da carga horária de 44 para 36 horas semanais ao longo de dez anos. Entretanto, as negociações conduzidas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e pelo governo federal caminham para um modelo intermediário: jornada de 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção integral dos salários.

Em meio às negociações, parlamentares da oposição e de partidos do Centrão protocolaram duas emendas que mudam pontos centrais da proposta. Uma delas foi apresentada pelo deputado Tião Medeiros e recebeu apoio de 171 parlamentares.

O texto determina que atividades consideradas essenciais possam manter jornadas de até 44 horas semanais. A proposta inclui setores ligados à preservação da vida, saúde, segurança, mobilidade, abastecimento, ordem pública e continuidade de infraestruturas críticas.

Além disso, a emenda condiciona a redução da jornada à aprovação de uma futura lei complementar que definirá quais atividades poderão se enquadrar nessa exceção. Na prática, o mecanismo pode postergar a implementação efetiva da nova jornada.

O deputado Sérgio Turra, autor de outra emenda semelhante, também propôs medidas de compensação às empresas, como redução de contribuições sociais e do FGTS, sob o argumento de amenizar os impactos econômicos da mudança.

O Paraná aparece entre os estados com maior adesão à proposta alternativa. Dos 30 deputados federais paranaenses, 15 assinaram a emenda apresentada por Tião Medeiros.

Assinaram a proposta os deputados:

Beto Richa, Dilceu Sperafico, Felipe Francischini, Geraldo Mendes, Luisa Canziani, Luiz Carlos Hauly, Luiz Nishimori, Padovani, Paulo Litro, Pedro Lupion, Sargento Fahur, Sergio Souza, Tião Medeiros, Toninho Wandscheer e Vermelho

Já o relator da PEC, Leo Prates, defendeu que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida e aumentar a produtividade dos trabalhadores.

“É a reforma na qualidade de vida das pessoas, é a reforma no futuro do país. Porque muitos falam em família, mas como você tem família sem presença?”, declarou.

A deputada Daiana Santos também afirmou que a proposta busca garantir mais tempo de convivência e descanso aos trabalhadores sem prejudicar os empregadores.

O relatório final da comissão especial deve ser apresentado na próxima quarta-feira (20). A expectativa da Câmara e do governo federal é levar a proposta para votação no plenário ainda antes do fim de maio.

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