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Mercado eleva previsão da inflação para 5,09% e amplia pressão sobre juros e consumo

Estimativa para o IPCA sobe pela 12ª semana consecutiva e supera o teto da meta do Banco Central; conflito no Oriente Médio e alta dos combustíveis influenciam cenário

Por Eliane Alexandrino

Mercado eleva previsão da inflação para 5,09% e amplia pressão sobre juros e consumo Créditos: Divulgação

A previsão do mercado financeiro para a inflação brasileira voltou a subir e alcançou 5,09% em 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central no Boletim Focus. A nova estimativa representa a 12ª alta consecutiva nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país.

Com o reajuste, a expectativa dos analistas supera novamente o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite máximo aceitável é de 4,5%.

A principal preocupação do mercado está relacionada aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis, além dos reflexos sobre alimentos e outros produtos da cadeia produtiva. Esses fatores têm pressionado os índices inflacionários e dificultado o trabalho do Banco Central no controle dos preços.

A projeção para o IPCA passou de 5,04% para 5,09% apenas na última semana. Para os anos seguintes, as expectativas também permanecem acima da meta: 4,02% em 2027, 3,66% em 2028 e 3,5% em 2029.

Apesar da pressão inflacionária, os dados mais recentes mostram que a inflação oficial ainda permanece dentro do limite permitido. Em abril, o IPCA registrou alta de 0,67%, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação ficou em 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O cenário também influencia diretamente a política de juros do país. Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, após dois cortes consecutivos promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15%, o maior patamar registrado em quase duas décadas.

Mesmo com a recente redução dos juros, o Banco Central continua monitorando os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. O próximo encontro do Copom para definir os rumos da Selic está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

Segundo o Focus, a expectativa do mercado é que a taxa básica encerre 2026 em 13,25% ao ano. Para 2027, a projeção é de 11,25%, enquanto para 2028 e 2029 a estimativa é de 10% ao ano.

Além da inflação e dos juros, o mercado também revisou levemente para cima a previsão de crescimento da economia brasileira. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,89% para 1,9% neste ano. Para 2027, a expectativa segue em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 o crescimento projetado é de 2%.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os últimos três meses de 2025. No acumulado de 12 meses, a expansão é de 2%.

Já em relação ao câmbio, os analistas mantiveram a previsão do dólar em R$ 5,16 até o final deste ano. Para 2027, a expectativa é de que a moeda norte-americana encerre o período cotada a R$ 5,25.

O novo relatório reforça a cautela do mercado diante das incertezas internacionais e dos desafios para manter a inflação sob controle, especialmente em um cenário marcado pela volatilidade dos preços de energia e alimentos no mercado global.

Foto: Divulgação

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