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Marcha para Jesus expõe disputa política entre governo Lula e bolsonarismo

Ausência de Lula, discurso de Flávio Bolsonaro e resposta de Jorge Messias transformaram tradicional evento religioso em palco de mais um embate político entre governo e oposição.

Por Gazeta do Paraná

Marcha para Jesus expõe disputa política entre governo Lula e bolsonarismo Créditos: Divulgação

A 34ª edição da Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4) em São Paulo, reuniu milhares de fiéis, lideranças religiosas e autoridades políticas. O evento, porém, acabou marcado por um novo capítulo da disputa entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).  

Representando o governo federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, participou da marcha em nome de Lula, que decidiu não comparecer ao evento. Segundo o ministro, a orientação recebida do presidente foi prestigiar a comunidade evangélica sem transformar a participação em ato político ou eleitoral. “Não vim fazer comício, não vim fazer uso político”, afirmou Messias durante o evento.  

A declaração ocorreu após um discurso do senador Flávio Bolsonaro, que afirmou que o “mal será expulso do governo” ainda neste ano e classificou o momento político brasileiro como uma “guerra espiritual”. A fala foi recebida com aplausos por parte do público presente.  

“Na mesa de Jesus tem lugar até para Judas”

Questionado por jornalistas sobre dividir o mesmo trio elétrico com Flávio Bolsonaro e outras lideranças da direita, Jorge Messias recorreu a uma referência bíblica que rapidamente repercutiu nas redes sociais.

Segundo o ministro, “na mesa de Jesus tem lugar para Tiago, para Pedro, para Tomé e até para Judas”. A declaração foi interpretada como uma resposta indireta ao discurso do senador e ampliou a repercussão política do evento.  

Apesar do tom da resposta, Messias insistiu que a marcha deveria ser um espaço de celebração religiosa e não de antecipação da disputa presidencial de 2026. O advogado-geral da União afirmou que o foco do dia deveria ser a fé e o diálogo com o público evangélico.  

Lula fica fora do evento

A ausência de Lula também chamou atenção. O presidente enviou Jorge Messias como representante oficial do governo e optou por não participar presencialmente da marcha. Segundo aliados do Palácio do Planalto, a decisão buscou evitar que a presença presidencial fosse interpretada como tentativa de capitalização política da fé em um momento de pré-campanha eleitoral.  

Messias é considerado um dos principais interlocutores do governo junto ao segmento evangélico e participa da Marcha para Jesus em representação do presidente há vários anos.  

Evento religioso e vitrine eleitoral

Embora os organizadores tenham orientado as autoridades a evitarem discursos político-partidários, a edição deste ano acabou evidenciando o peso eleitoral do público evangélico na disputa nacional. De um lado, Flávio Bolsonaro aproveitou o espaço para reforçar críticas ao governo federal. De outro, Jorge Messias procurou transmitir a mensagem de aproximação do Planalto com os evangélicos sem transformar a participação em ato de campanha.  

A cena sintetizou um movimento que deve se intensificar nos próximos meses: a disputa pela preferência do eleitorado evangélico, considerado um dos segmentos mais estratégicos para as eleições presidenciais de 2026.  

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp