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Daniel Ortega diz que Nicarágua não terá mais eleições e amplia controle sobre o país
Presidente afirmou que oposição não voltará ao poder por meio das urnas; declaração reforça concentração de poder após mudanças constitucionais aprovadas em 2025
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições, indicando que não haverá uma nova disputa presidencial ao fim de seu atual mandato, previsto para 2027.
A declaração foi feita durante um discurso na noite de domingo (19), em comemoração ao aniversário da Revolução Sandinista de 1979, movimento que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza e do qual Ortega foi um dos principais líderes.
Sem apresentar detalhes sobre como a medida será implementada, o presidente afirmou que o objetivo é impedir o retorno da oposição ao poder.
"Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder", declarou Ortega.
Em seguida, acrescentou:
"Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais."
O pronunciamento marcou a primeira aparição pública de Ortega em cerca de dois meses.
Medida reforça concentração de poder
A declaração representa mais um passo na consolidação do poder exercido por Ortega e por sua esposa, Rosario Murillo, que atualmente ocupa o cargo de copresidente da Nicarágua.
No ano passado, o governo promoveu uma série de reformas constitucionais que ampliaram os poderes do Executivo. Entre as mudanças, Murillo foi oficialmente nomeada copresidente, enquanto o mandato presidencial passou de cinco para seis anos.
Com as alterações, o casal passou a concentrar maior influência sobre diferentes áreas da administração pública, incluindo as Forças Armadas e o Poder Judiciário.
Eleições anteriores foram alvo de críticas
A última eleição presidencial da Nicarágua ocorreu em 2021 e foi alvo de críticas de organismos internacionais e de governos estrangeiros.
Na ocasião, diversos opositores políticos foram presos antes da votação, incluindo possíveis candidatos à Presidência. Também houve detenções de empresários e lideranças da sociedade civil, além da adoção de medidas que restringiram a atuação da oposição.
Os resultados garantiram a permanência de Daniel Ortega no poder.
ONU aponta violações de direitos humanos
O governo nicaraguense também é alvo de críticas por parte de organismos internacionais.
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) acusa a administração de Daniel Ortega e Rosario Murillo de transformar a Nicarágua em um Estado autoritário e de promover violações sistemáticas dos direitos humanos.
As críticas se intensificaram após a crise política iniciada em abril de 2018.
Repressão a protestos deixou mais de 300 mortos
A Nicarágua enfrenta uma grave crise política desde 2018, quando manifestações contra o governo foram reprimidas pelas forças de segurança.
Segundo organizações internacionais, a repressão aos protestos deixou mais de 300 mortos, além de centenas de feridos e milhares de pessoas obrigadas a deixar o país.
Desde então, entidades de direitos humanos apontam restrições às liberdades civis, perseguição a opositores, fechamento de organizações não governamentais e limitações à atuação da imprensa independente.
Com a declaração de que o país não voltará a realizar eleições, Daniel Ortega reforça o controle sobre o sistema político nicaraguense, ampliando as incertezas sobre o futuro democrático do país e sobre a sucessão presidencial prevista para 2027.
