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Estreito de Ormuz tem queda no tráfego de navios após escalada entre Irã e EUA
Dados de rastreamento mostram redução no fluxo de navios de petróleo e gás natural após ataques no Oriente Médio; mercado acompanha riscos para o abastecimento mundial de energia
O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz diminuiu nos últimos dias em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Dados de rastreamento marítimo mostram que embarcações de gás natural liquefeito (GNL) e petróleo continuam cruzando a região, mas em volume menor, enquanto empresas de navegação e governos monitoram a segurança de uma das principais rotas de exportação de energia do mundo.
A preocupação aumentou após os ataques iranianos contra navios comerciais e as ações militares de retaliação realizadas pelos Estados Unidos nesta semana.
Segundo informações das plataformas Kpler e LSEG, pelo menos cinco navios-tanque de gás natural liquefeito entraram no Estreito de Ormuz nos últimos dias. Entre eles estão o GasLog Shanghai, operado pela empresa grega GasLog, além dos navios Al Samriya, Al Dafna, Al Gattara e Al Rayyan, ligados à QatarEnergy.
Os dados indicam que o GasLog Shanghai e o Al Rayyan atravessaram a região durante a madrugada de quarta-feira (9). Já os outros três navios da QatarEnergy haviam sido vistos anteriormente próximos à costa oeste da Índia entre os dias 18 e 29 de junho, antes de seguirem viagem.
Nem a QatarEnergy nem a GasLog comentaram as informações.
Além dos navios de gás, o superpetroleiro Nissos Kea entrou no Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (10), enquanto o Lila Vadinar deixou a região.
Segundo Xavier Tang, analista sênior da consultoria Vortexa, o comportamento das embarcações mudou desde o início da crise.
"O que está diferente agora, em comparação com o início do conflito, é que o Irã está atacando navios que utilizam a rota de Omã, em vez de ter como alvo todos os navios", afirmou.
Na avaliação do especialista, essa mudança pode levar embarcações a preferirem a rota próxima ao território iraniano ou até reduzirem sua visibilidade durante a travessia.
Fontes do setor de navegação afirmam que muitos navios passaram a desligar os transponders públicos de rastreamento, equipamento responsável por transmitir a localização das embarcações. A prática dificulta o monitoramento do tráfego em tempo real por plataformas abertas.
Levantamento da Kpler mostra que o fluxo de navios-tanque de petróleo e gás caiu ao menor nível diário desde 28 de junho. Na quinta-feira, apenas dez embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz. No dia anterior haviam sido registradas 14 passagens, enquanto na segunda-feira (6) o total chegou a 22 navios.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, concentrando grande parte das exportações globais de petróleo e gás natural. A redução no tráfego ocorre em um momento de preocupação crescente do mercado internacional com possíveis impactos sobre o abastecimento de energia e os preços dos combustíveis.
