Mais de um terço dos candidatos ao Senado em 2026 tem 60 anos ou mais
Levantamento mostra aumento da participação de candidatos idosos em relação a 2018, enquanto faixa entre 35 e 39 anos perdeu espaço na disputa
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Carlos Moura/Agência Senado
Mais de um terço dos candidatos que disputam uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026 tem 60 anos ou mais. Dos 315 registros de candidatura contabilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 121 estão nessa faixa etária, o equivalente a 38,4% do total.
O percentual é superior ao registrado em 2018, última eleição em que dois terços das cadeiras do Senado foram renovados. Naquele ano, 126 dos 352 candidatos tinham pelo menos 60 anos, correspondendo a 35,8% das candidaturas.
Apesar de o número absoluto ter caído em cinco candidatos entre as duas eleições, a participação proporcional dos concorrentes com 60 anos ou mais aumentou 2,6 pontos percentuais.
O cenário ocorre em meio ao processo de envelhecimento da população brasileira. Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026, aproximadamente 36,6 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, o equivalente a 17,1% da população projetada para o país.
Entre os candidatos ao Senado neste ano, 42 têm entre 60 e 64 anos e outros 42 estão na faixa de 65 a 69 anos. Há ainda 21 candidatos com idades entre 70 e 74 anos e 14 entre 75 e 79 anos. Três candidatos têm 80 anos ou mais.
Ao todo, 37 candidatos têm pelo menos 70 anos, o equivalente a 11,7% das candidaturas. Em 2018, eram 35 candidatos nessa faixa, ou 9,9% do total registrado naquele ano.
Candidatos mais velhos
A candidatura mais velha registrada para a disputa deste ano é a de Marlene Soccas (UP-SC), nascida em 25 de setembro de 1934.
Entre os homens, o candidato de maior idade é Carlos Sodré (Mobiliza-BA), nascido em 30 de agosto de 1946.
A presença de pessoas mais velhas, porém, é marcada por uma diferença significativa entre homens e mulheres. Dos 121 candidatos com 60 anos ou mais, 103 são homens e apenas 18 são mulheres.
A faixa etária mais numerosa está dividida entre candidatos de 60 a 64 anos e de 65 a 69 anos, com 42 representantes em cada grupo.
Menos candidatos jovens
Na outra ponta da disputa, 21 candidatos têm entre 35 e 39 anos, o que representa 6,7% das candidaturas. São 15 homens e seis mulheres.
Em 2018, havia 33 candidatos nessa faixa etária, correspondentes a 9,4% das candidaturas daquele ano. Assim, além do crescimento proporcional dos candidatos mais velhos, houve redução na participação dos concorrentes que estão próximos da idade mínima exigida para o cargo.
A Constituição Federal estabelece que o candidato ao Senado precisa ter pelo menos 35 anos. A exigência também vale para os cargos de presidente e vice-presidente da República.
A projeção do IBGE para 2026 aponta cerca de 16,2 milhões de brasileiros entre 35 e 39 anos, aproximadamente 7,6% da população nacional.
Primeira geração pós-Constituição
A eleição de 2026 terá ainda uma característica inédita para o Senado: será a primeira disputa em que pessoas nascidas depois da promulgação da Constituição Federal de 1988 poderão concorrer ao cargo.
Dos 21 candidatos que têm entre 35 e 39 anos, 12 nasceram depois de 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. São sete homens e cinco mulheres.
Entre os candidatos mais jovens estão Filipe Barros (PL-PR) e Renatinha (DC-SE), ambos nascidos em 1991 e com 35 anos.
A legislação estabelece diferentes idades mínimas para os cargos eletivos. Além dos 35 anos exigidos para senador, presidente e vice-presidente, é necessário ter 30 anos para governador e vice-governador; 21 anos para deputado federal, estadual ou distrital, prefeito, vice-prefeito e juiz de paz; e 18 anos para vereador.
Os dados utilizados no levantamento correspondem às candidaturas registradas no TSE até o fechamento desta edição. Como o processo eleitoral ainda está em andamento, os números podem sofrer alterações até outubro.
