Lula diz que filho deve provar inocência e defende investigação sobre denúncias
Em entrevista à TV Record, presidente afirmou que não interfere em investigações e voltou a defender medidas na segurança pública e economia
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista exibida pela TV Record na noite deste domingo (23), que seu filho, Fábio Luis Lula da Silva, deve provar sua inocência diante das suspeitas que estão sendo investigadas. O empresário é citado em uma apuração que envolve também a empresária e lobista Roberta Luchsinger, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção em supostas negociações com órgãos do governo federal.
“Se você é inocente, prove. Isso vale para o meu filho”, afirmou Lula. Segundo o presidente, caso tenha cometido algum erro, o filho deverá ser julgado e punido, mas também poderá ser inocentado. Lula ressaltou ainda que não pretende interferir no trabalho das autoridades.
“Eu não sou juiz, procurador ou delegado, eu sou presidente da República. Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação”, declarou. Para Lula, as apurações devem ocorrer independentemente de quem esteja envolvido.
O presidente também afirmou que a corrupção existe em diferentes setores da sociedade e disse que o país atualmente possui maior capacidade de investigação. “Tem nas empresas, no governo, no Judiciário e nos times de futebol”, afirmou.
Durante a entrevista, Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública, uma das propostas apresentadas por ele durante a pré-campanha à reeleição. O presidente disse que pretende ampliar os investimentos na área para combater o crime e fortalecer a atuação das forças de segurança.
Na área econômica, Lula afirmou que anunciará na quarta-feira (26) o fim da chamada “taxa das blusinhas” para compras internacionais de até US$ 50. A medida, segundo ele, deverá beneficiar consumidores que realizam compras dentro desse limite.
Lula também criticou o nível do debate político atual e disse sentir falta das disputas eleitorais de décadas anteriores. O presidente citou nomes como Mário Covas, José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin como adversários de eleições passadas.
Na avaliação de Lula, a política brasileira perdeu qualidade e parte do debate atual estaria concentrada nas redes sociais. “Tem gente que acha que lacrar na internet dá a ele o direito de ser presidente da República”, afirmou.
A entrevista foi exibida pela TV Record no mesmo horário do primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Band. Lula e Flávio Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas eleitorais, não participaram do encontro.
