Créditos: Rodrigo Fonseca
Lórens Nogueira nega rachadinha em depoimento e diz que dinheiro era de empréstimo a ex-servidora
Vereador de Curitiba afirmou à Comissão Processante que valores recebidos em dinheiro eram referentes ao pagamento de um empréstimo pessoal. Processo que pode levar à cassação do mandato entra na fase final
O vereador Lórens Nogueira (Progressistas) prestou depoimento na manhã desta quarta-feira (15) à Comissão Processante da Câmara Municipal de Curitiba e voltou a negar as acusações de rachadinha e desvio de função de servidores. Durante cerca de uma hora e meia de oitiva, o parlamentar afirmou que o dinheiro recebido em um vídeo utilizado nas investigações era referente ao pagamento de um empréstimo pessoal concedido a uma ex-servidora do gabinete.
Segundo Lórens, a devolução foi realizada em dinheiro porque a funcionária enfrentava restrições bancárias decorrentes de ações judiciais. De acordo com sua versão, ela costumava transferir o salário para a conta do filho e, por isso, optou por sacar o valor em espécie para quitar a dívida.
Questionado pelos integrantes da comissão sobre a existência de contrato, recibo ou qualquer documento que comprovasse o empréstimo, o vereador respondeu que não possui registros formais da operação. Segundo ele, a comprovação estaria baseada apenas em sua palavra e na da ex-servidora.
O parlamentar também afirmou que os recursos emprestados faziam parte de seu patrimônio pessoal, acumulado desde 2016, quando passou a exercer funções como assessor parlamentar. Ainda segundo ele, sempre teve boa remuneração e optava por manter parte do dinheiro em espécie em casa.
Ao ser perguntado sobre o que teria motivado a denúncia apresentada ao Ministério Público do Paraná (MPPR), Lórens disse não ter uma explicação.
"Sinceramente, não sei responder. Essa é uma pergunta que eu mesmo faço todos os dias", afirmou durante o depoimento.
Instituto social também foi tema da oitiva
Durante a audiência, os integrantes da Comissão Processante também questionaram a atuação do Instituto Grupo Solidário, organização fundada pelo vereador e que desenvolve ações sociais no bairro Xaxim, em Curitiba.
Lórens negou que servidores lotados em seu gabinete sejam obrigados a atuar na entidade. Segundo ele, alguns assessores participam das atividades de forma voluntária.
O vereador afirmou ainda que desconhece se funcionários fazem doações financeiras ao instituto, mas reconheceu que alguns podem contribuir ao adquirir produtos em bazares, festas beneficentes e eventos promovidos pela organização.
Processo entra na fase final
Com o depoimento do vereador, a Comissão Processante encerrou a fase de instrução do Processo Ético-Disciplinar, etapa destinada à coleta de provas e aoitiva de testemunhas.
Agora, a defesa terá cinco dias para apresentar as alegações finais por escrito. Segundo o vereador, entre os documentos que pretende anexar estão declarações do Imposto de Renda.
Após esse prazo, caberá ao relator elaborar um parecer recomendando o arquivamento da denúncia ou a continuidade do processo.
Caso a comissão entenda que existem elementos para prosseguir, o relatório será encaminhado ao plenário da Câmara Municipal. A eventual cassação do mandato dependerá do voto favorável de pelo menos dois terços dos vereadores.
O processo deverá ser concluído dentro do prazo legal de 90 dias contados a partir da notificação do parlamentar, realizada em 10 de junho.
Operação Déjà Vu deu origem às investigações
Lórens Nogueira passou a ser investigado após a Operação Déjà Vu, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, em 26 de maio.
Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no gabinete do vereador e em endereços ligados ao parlamentar e a assessores. Durante a operação, os investigadores apreenderam cerca de R$ 118 mil em dinheiro vivo, valor que passou a integrar as apurações conduzidas pelo Ministério Público e também fundamentou a abertura do processo disciplinar na Câmara de Curitiba.
