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Fiocruz conclui tecnologia para produzir principal medicamento contra o HIV usado pelo SUS

Farmanguinhos finalizou a transferência de tecnologia para fabricar o dolutegravir no Brasil; distribuição depende apenas da autorização da Anvisa

Por Eliane Alexandrino

Fiocruz conclui tecnologia para produzir principal medicamento contra o HIV usado pelo SUS Créditos: Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o processo de transferência de tecnologia para produzir, no Brasil, o dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mais de 770 mil pessoas fazem uso do antirretroviral no país.

O processo foi conduzido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz responsável pela produção de medicamentos estratégicos para o SUS. A nacionalização da fabricação começou em 2020, por meio de um acordo firmado com a farmacêutica ViiV Healthcare, empresa especializada em tratamentos para HIV e pertencente ao grupo biofarmacêutico GSK.

Ao longo dos últimos anos, Farmanguinhos investiu na adaptação da fábrica, aquisição de equipamentos, qualificação de profissionais e estruturação dos processos técnicos e regulatórios necessários para assumir integralmente a produção do medicamento.

Com a conclusão dessa etapa, o início do fornecimento de cápsulas produzidas no Brasil depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes do medicamento já foram fabricados e validados pela instituição e estão prontos para distribuição assim que a liberação for concedida.

Desde 2022, Farmanguinhos já é responsável pela distribuição ao SUS do dolutegravir produzido em unidades da GSK. Nesse período, mais de 739 milhões de cápsulas foram fornecidas à rede pública de saúde. Em 2025, o instituto também passou a realizar o controle laboratorial de qualidade do medicamento.

Além da fabricação do dolutegravir isoladamente, o acordo de transferência de tecnologia prevê uma nova etapa: a produção nacional da combinação do dolutegravir com a lamivudina, outro medicamento utilizado no tratamento do HIV. A expectativa é que essa fabricação tenha início em 2027.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2019 como tratamento de primeira e segunda linha para pessoas vivendo com HIV, o dolutegravir atua impedindo a multiplicação do vírus no organismo. O medicamento reduz a carga viral a níveis indetectáveis, fortalece o sistema imunológico, diminui a progressão para a Aids e apresenta poucos efeitos colaterais, sendo indicado inclusive para gestantes e pessoas com potencial para engravidar.

Foto e texto: Agência Brasil 

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