Justiça Federal inclui Curitiba e mais três municípios em ação do Estado para retirar trens de carga do Ramal Norte
Ação do Paraná pede suspensão do transporte de cargas no Ramal Norte, que atravessa áreas densamente povoadas e registra centenas de acidentes
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Secom
A Justiça Federal decidiu nesta segunda-feira (24) incluir os municípios de Curitiba, Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul, além do Ministério Público Federal (MPF), como interessados na Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Estado do Paraná para desativação do Ramal Ferroviário Norte, que corta a capital e as outras três cidades.
A ação foi ajuizada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) contra a União, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Rumo Malha Sul S.A. No despacho, o juiz federal Friedmann Anderson Wendpap solicita, ainda, que o MPF, os municípios e os réus se manifestem no prazo de três dias.

O objetivo da ação é que o transporte de cargas seja suspenso, uma vez que o trilho está localizado em uma região densamente povoada, o que acaba ocasionando inúmeros acidentes. Na ação, a PGE destaca que Curitiba é a cidade do País com maior número de sinistros com trens, com 437 ocorrências de 2004 a 2025, o equivalente a 3% de todas as ocorrências ferroviárias dos últimos 20 anos.
Além disso, o ramal apresenta baixa viabilidade econômica à concessionária. A PGE argumenta que a produção carregada pelo trem poderia ser transportada pelo modal rodoviário ou mesmo ferroviário, mediante alternativas de transbordo. Outro benefício seria a redução de ruídos de alta intensidade e o uso ostensivo de apitos, inclusive no período noturno, que ocasionam poluição sonora e podem afetar diretamente a saúde das pessoas, em especial daquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, acamados e crianças.
“Será uma grande conquista, especialmente para Curitiba e os municípios da Região Metropolitana que são alcançados por esse ramal. Ele não é economicamente vantajoso para o Estado e nem para a concessionária, causando muitos acidentes, inclusive com mortes, sendo que apenas uma empresa é beneficiada pelo transporte por essa linha ferroviária”, afirmou a procuradora responsável pela ação, Carolina Kummer Trevisan.
A medida integra os esforços da gestão estadual para que os trilhos sejam retirados o mais breve possível, antes da nova concessão ferroviária da Malha Sul, prevista para 2027. O Ramal Norte tem uma extensão de aproximadamente 45 quilômetros e atravessa as quatro cidades.
O Governo do Estado e a Prefeitura de Curitiba trabalham para que a nova concessão da Malha Sul, que terá duração de 30 anos, contemple a retirada dos trens de carga de dentro da cidade. Atualmente, a linha férrea passa por áreas adensadas em bairros como Centro, Cabral, Alto da XV, Cristo Rei, Cajuru e Uberaba, o que causa transtornos ao trânsito, paralisando o tráfego dos ônibus do transporte público, além de gerar acidentes e produzir ruídos em diversos períodos do dia.
