Jacovós acusa prefeitos de ‘traição’ ao PL e fala em pressão do governo por convênios
Deputado afirma que gestores usaram Bolsonaro e a estrutura partidária para se eleger e depois deixaram a legenda; parlamentar também diz que políticos de PSD e MDB já começam a se aproximar de Sergio Moro
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Valdir Amaral
O deputado estadual Delegado Jacovós (PL) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para fazer um duro discurso contra políticos que deixaram ou se afastaram do PL depois das eleições municipais e afirmou que prefeitos teriam sofrido pressão do atual governo estadual para abandonar a legenda. Na mesma fala, o parlamentar alertou para uma movimentação de lideranças de outros partidos em direção ao senador Sergio Moro, tratado por ele como “futuro governador” do Paraná.
O pronunciamento foi construído em torno da ideia de fidelidade partidária. Jacovós afirmou que políticos ingressaram no PL para aproveitar eleitoralmente a popularidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e a identificação da legenda com a direita, mas posteriormente abandonaram o partido.
“O PL tem de deixar de ser escada eleitoral para oportunistas”, afirmou. Segundo o deputado, alguns candidatos “usam o nome do presidente Bolsonaro, usam o PL, conseguem o mandato e depois viram as costas literalmente”.
Pressão sobre prefeitos
O trecho mais contundente do pronunciamento ocorreu quando Jacovós citou nominalmente o prefeito de Nova Esperança, Eduardo Paschini. O deputado relatou que, antes das eleições municipais de 2024, foi procurado por um grupo interessado no comando do PL no município e que participou diretamente da organização partidária que posteriormente sustentou a candidatura de Paschini.
Jacovós também afirmou que esteve em Nova Esperança durante a campanha para apoiar o então candidato e destacou que a candidatura utilizou a estrutura do PL e recursos do fundo partidário.
Na sequência, acusou Paschini de abandonar o grupo depois da eleição e relacionou a movimentação a uma suposta pressão exercida pelo governo estadual sobre prefeitos.
“Ele traiu o presidente Bolsonaro, é traidor do PL, assim que o atual governo desse Estado começou a pressionar os prefeitos”, declarou.
Jacovós reproduziu, então, aquela que, segundo sua versão, seria a mensagem transmitida aos gestores municipais: “Vocês têm de sair do PL, porque nós temos muitas emendas ainda para serem assinadas, muitos convênios”. O parlamentar não apresentou, durante o pronunciamento, documentos ou outros elementos que comprovassem a acusação.
A declaração coloca no centro do debate a relação política entre o Palácio Iguaçu e administrações municipais em um momento de reorganização das forças partidárias para as eleições de outubro.
Moro e a nova corrida ao PL
Jacovós também sinalizou que a disputa não está restrita aos políticos que deixaram o partido. Para ele, uma nova movimentação estaria começando agora, desta vez em torno de Sergio Moro.
“Certamente, muitos se aproximam do futuro governador Moro já pensando em usar o PL ou usar o nome do senador Moro”, afirmou. Para o deputado, seria uma repetição do movimento ocorrido anteriormente em torno de Bolsonaro: lideranças se aproximariam de uma figura eleitoralmente competitiva para obter vantagens na disputa.
Mais adiante, Jacovós afirmou que “muitos já começam a se aproximar novamente do senador Moro” e citou especificamente prefeitos ligados ao MDB e ao PSD.
A fala revela uma disputa que vai além da eleição para o governo. Ao atacar antecipadamente a aproximação de políticos de outras legendas, Jacovós procura demarcar espaço dentro do próprio PL e diferenciar os integrantes históricos da sigla daqueles que podem buscar aproximação em razão da candidatura de Moro.
O deputado fez questão de lembrar que está no partido desde 2016. “Antes do presidente Bolsonaro, antes da vinda do governador Moro”, declarou. “Eu não fico mudando de partido por conveniências.”
Prefeita de Astorga também é alvo
Outro alvo do pronunciamento foi a prefeita de Astorga. Jacovós afirmou que, nos bastidores, ela teria procurado o PL e participado da apresentação de uma comissão provisória municipal que incluía o próprio filho.
Segundo o parlamentar, cerca de 15 dias depois ela participou de um evento do PSD e falou em nome das prefeitas da legenda.
“É uma vergonha um troço desse”, disparou Jacovós. Ele chegou a usar a expressão “verdadeira cara de pau”, mas imediatamente evitou direcioná-la nominalmente à prefeita.
O parlamentar ampliou posteriormente o alcance das críticas. Disse que não estava se referindo somente ao prefeito de Nova Esperança, mas a todos os prefeitos que considera “traidores do PL” e de Bolsonaro.
Créditos: Redação
