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“Isso não é hobby”: artista de Cascavel relata desafios para viver da arte

Alessandra Bastos atua exclusivamente no meio cultural e destaca dificuldades de reconhecimento e estabilidade financeira

Por Valéria Mendes

“Isso não é hobby”: artista de Cascavel relata desafios para viver da arte Créditos: Divulgação

Alessandra Bastos é uma artista de rua que realiza peças de cunho social misturadas ao humor, por meio de sua personagem, a Palhaça Cuíca. Suas apresentações também abrangem o público infantil, além da organização de oficinas e eventos voltados a críticas sociais e à educação.

Desde criança, Alessandra foi incentivada a explorar seu lado artístico, mas, com a chegada da vida adulta, surgiram preocupações e questionamentos sobre como viver da arte. Ela seguiu em frente, formou-se em História e iniciou sua trajetória na área da educação. A virada de chave aconteceu em 2019, durante “mochilões” realizados por diferentes lugares, onde conheceu novas culturas e pessoas. Nesse período, desenvolveu habilidades musicais, especialmente no violão, embora sua maior vontade sempre tenha sido atuar no teatro. Em 2021, ingressou em um curso técnico de teatro. A partir daí, a arte passou a ocupar um espaço ainda maior em sua vida. Foi nesse ambiente que conheceu artistas da palhaçaria e mergulhou nesse universo, levando a linguagem artística para as ruas.

Segundo a artista, a Palhaça Cuíca representa o seu “eu exagerado”. Alessandra descreve a personagem como um espaço onde consegue se sentir confortável consigo mesma, abraçando falhas e desenvolvendo liberdade para expor sentimentos, críticas e pensamentos.

Atualmente, Alessandra trabalha exclusivamente com arte e afirma que um dos maiores desafios é validar seu trabalho profissionalmente. “Eu faço arte porque isso faz sentido para mim, não para enriquecer ou ficar famosa. Um dos maiores desafios é se manter financeiramente. Cada mês é uma situação diferente. Muitos artistas também são professores para conseguir uma renda fixa, porque, quando dependemos apenas de apresentações contratadas por empresas, o valor pago não é alto. Existe dificuldade em sermos reconhecidos como trabalhadores que precisam de uma remuneração digna para continuar produzindo, porque isso não é hobby”, afirmou.

A Palhaça Cuíca possui diferentes formas de apresentação, que variam conforme o público e as interações durante o espetáculo. Quem passa pela rua e acompanha a apresentação também pode integrar a dramaturgia. Além das apresentações em escolas, a artista organiza oficinas abertas à comunidade. Entre os projetos desenvolvidos está o “É Nois na Cena”, realizado por meio da Lei Aldir Blanc, com apoio da produtora cultural Mariana Gouveia, de Toledo. O projeto ofereceu aulas gratuitas de teatro para adolescentes e surgiu após Alessandra ministrar oficinas no CCI do Morumbi. O objetivo era proporcionar espaço de fala aos jovens e ampliar o acesso à cultura. Ao final das atividades, os participantes apresentaram um espetáculo teatral e produziram um filme.

 

                 

Atualmente, Alessandra se prepara para voltar a viajar em mais um intercâmbio cultural, buscando trocar experiências com artistas de diferentes regiões e conhecer novas tradições. A artista também destacou a trajetória dos movimentos culturais em Cascavel e a importância das pessoas que ajudaram a fortalecer o teatro na cidade.“Os frutos que estamos colhendo hoje vêm de uma semeadura construída há décadas. Sou muito grata aos mestres que encontrei no caminho. Uma das minhas referências é Maia Piva, que ministrava o curso técnico de teatro no Colégio Eleodoro, hoje extinto. Era o único curso técnico de teatro do interior do Paraná. Então existe uma luta e uma resistência muito grandes para fazer o teatro acontecer em Cascavel”, ressaltou.

 

Créditos: Valéria Mendes Acesse nosso canal no WhatsApp