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“Vila Pérola” transforma Foz do Iguaçu em cenário de longa sobre a cultura da fronteira

Filme inspirado no ciclo dos sacoleiros e da muamba é gravado em locações icônicas da tríplice fronteira e reúne mais de 200 profissionais

Por Eliane Alexandrino

“Vila Pérola” transforma Foz do Iguaçu em cenário de longa sobre a cultura da fronteira Créditos: Divulgação

A cidade de Foz do Iguaçu voltou a ganhar destaque no cenário audiovisual brasileiro com o início das gravações de “Vila Pérola”, longa-metragem ambientado na região da tríplice fronteira e inspirado em um universo bastante conhecido pelos moradores locais: o ciclo econômico dos sacoleiros e da chamada “muamba” na região da Ponte da Amizade.

O drama acompanha a trajetória de duas famílias que vivem no bairro Vila Pérola, tradicional ponto de apoio de compristas e ônibus fretados vindos de diferentes regiões do país em busca de mercadorias no Paraguai. Em meio ao caos urbano, à informalidade e às transformações econômicas da fronteira, o filme aborda ascensão social, conflitos familiares e relações afetivas.

A trama gira em torno de Arnaldo, interpretado por Lourinelson Vladmir, um muambeiro que cria uma empresa de transporte alternativo para compristas, e Marta, personagem de Guenia Lemos, uma vizinha que enfrenta dificuldades financeiras após a morte do marido. O enredo também acompanha a relação entre Diogo e Rafael, jovens que vivem realidades diferentes dentro do mesmo bairro.

O diretor Felipe Lovo afirma que a inspiração para o filme surgiu ainda na época em que era estudante universitário. Segundo ele, a experiência de viajar com grupos de sacoleiros ajudou a construir a narrativa.

“Quando era estudante, comecei a viajar com os muambeiros porque queria visitar minha família em São Paulo, mas não tinha dinheiro. Então levava uma cota e acompanhava os grupos”, relembrou o diretor.

O longa terá aproximadamente 90 minutos e está sendo totalmente gravado na fronteira. Além da Vila Pérola, as filmagens acontecem em pontos conhecidos da cidade, como a Ponte da Amizade e as Cataratas do Iguaçu.

A produção é assinada pela Três Margens, com coprodução da Viola Filmes, de São Paulo, e da Átomo Produtora, do Paraguai. O projeto recebeu recursos da Lei Paulo Gustavo 2023, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e do Governo Federal.

Segundo a equipe, “Vila Pérola” é considerado o primeiro longa-metragem rodado em Foz do Iguaçu com orçamento de maior porte. A produção também busca fortalecer o setor audiovisual local, reunindo profissionais da própria cidade, estudantes e ex-alunos do curso de Cinema da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, além de trabalhadores de diferentes regiões do Brasil e de países vizinhos.

As gravações começaram em maio e devem seguir até o início de junho, com jornadas de até 12 horas diárias. Ao todo, mais de 200 pessoas participam diretamente da produção entre elenco, equipe técnica e figurantes.

Além de nomes já conhecidos do cinema e teatro, o elenco conta com o ator estreante Daniel Ferreira, morador de Foz do Iguaçu, selecionado após participar de oficinas promovidas pela própria equipe do filme.

Para Felipe Lovo, o projeto também representa um passo importante para consolidar Foz do Iguaçu como polo de produção audiovisual no Sul do país.

“Tivemos o cuidado de escolher as pessoas que integram a equipe justamente para profissionalizar cada vez mais o pessoal daqui, consolidando a cidade como polo audiovisual”, destacou.

O lançamento de “Vila Pérola” está previsto para 2027.

Foto: Divulgação

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