Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Inflação perde força em junho, mas alimentos e conta de luz continuam pressionando preços
Prévia da inflação oficial desacelerou pelo segundo mês consecutivo, mas alta dos alimentos e da energia elétrica manteve pressão sobre o custo de vida dos brasileiros
A prévia da inflação oficial do país perdeu força pelo segundo mês consecutivo em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio e dos 0,89% apurados em abril, informou nesta quinta-feira (25) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses voltou a subir e alcançou 4,8%, acima dos 4,64% registrados no levantamento anterior.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, cujo resultado de junho será divulgado pelo IBGE no dia 10 de julho.
Alimentos e energia lideram as altas
Os grupos Alimentação e Bebidas e Habitação responderam por cerca de dois terços da inflação registrada no mês.
Os alimentos subiram, em média, 0,74%, enquanto o grupo Habitação avançou 0,72%.
Entre os produtos que mais encareceram em junho estão a batata-inglesa, com alta de 29,42%, seguida pelo tomate (17,27%), feijão-carioca (14,29%) e cebola (9,54%).
Mesmo com a desaceleração, a alimentação consumida dentro de casa continuou pressionando o orçamento das famílias. A alta foi de 0,87%, percentual inferior ao registrado em maio, quando os preços haviam avançado 1,73%.
No acumulado do primeiro semestre, alguns alimentos registram aumentos expressivos. Segundo o IBGE, o tomate acumula alta de 103,84%, a cenoura de 103,10% e a batata-inglesa de 100,20%, reflexo principalmente das condições climáticas que afetaram a produção.
Conta de luz teve maior impacto
O principal impacto individual sobre o IPCA-15 veio da energia elétrica residencial, que ficou 2,04% mais cara em junho.
De acordo com o IBGE, o aumento foi influenciado principalmente pela adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Também contribuíram para a alta reajustes nas tarifas de distribuidoras em cidades como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a cobrança adicional ocorre devido à previsão de chuvas abaixo da média e ao aumento do consumo de energia, fatores que elevam o uso de usinas termelétricas, cuja geração é mais cara.
Combustíveis aliviam inflação
Enquanto alimentos e energia puxaram os preços para cima, os combustíveis ajudaram a conter a inflação no mês.
O grupo Transportes apresentou leve queda de 0,03%. O etanol recuou 5,30%, o diesel caiu 1,47% e a gasolina ficou 0,73% mais barata.
As passagens aéreas seguiram na direção oposta e registraram alta de 7,24% em junho.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 utiliza praticamente a mesma metodologia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil e utilizado como referência para a meta de inflação do governo federal.
A principal diferença está no período de coleta dos preços. Nesta divulgação, o levantamento considerou os valores pesquisados entre os dias 16 de maio e 16 de junho.
O índice acompanha os gastos de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e pesquisa preços em 11 localidades do país, incluindo Curitiba.
De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (22), o mercado financeiro projetava inflação de 0,32% para junho. O resultado do IPCA-15 ficou acima dessa expectativa.
