Juros altos freiam indústria, que cresce apenas 0,6% em 2025
Produção industrial perdeu força no segundo semestre e sentiu impacto da política monetária restritiva, aponta IBGE
Créditos: REUTERS/Washington Alves
A indústria brasileira encerrou 2025 com crescimento de 0,6%, ritmo bem mais moderado em relação aos anos anteriores. O resultado reflete a desaceleração registrada principalmente na segunda metade do ano, período marcado pelo impacto dos juros elevados sobre investimentos e consumo.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal. Mesmo com a perda de fôlego, o desempenho garantiu o terceiro ano consecutivo de expansão da produção industrial no país.
Em 2024, a indústria havia avançado 3,1%. Em 2023, o crescimento foi de 0,1%. A diferença entre os dois semestres de 2025 ajuda a explicar o resultado mais fraco. Até junho, o setor acumulava alta de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já entre julho e dezembro, a produção ficou estagnada. De setembro a dezembro, houve retração acumulada de 1,9%.
O último mês do ano reforçou o cenário de desaceleração. Em dezembro, a produção industrial caiu 1,2%, o pior desempenho desde julho de 2024. Dos quatro últimos meses de 2025, três registraram queda, enquanto outubro ficou estável.
Apesar disso, a indústria terminou o ano operando 0,6% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. Ainda assim, segue distante do pico histórico alcançado em maio de 2011, com produção 16,3% inferior àquele patamar.
Setores com desempenho desigual
Em 2025, apenas duas das quatro grandes categorias econômicas tiveram crescimento. Os bens de consumo duráveis avançaram 2,5%, enquanto os bens intermediários cresceram 1,5%. Já os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,7%, e os bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos, caíram 1,5%.
Entre as 25 atividades industriais analisadas pelo IBGE, 15 apresentaram alta, com destaque para as indústrias extrativas, que cresceram 4,9%, e o setor de alimentos, com avanço de 1,5%. No total, quase metade dos produtos pesquisados teve aumento de produção ao longo do ano.
Juros como principal freio
Segundo o IBGE, o principal fator para a perda de ritmo da indústria foi a política monetária restritiva adotada pelo Banco Central. A taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em patamar elevado durante boa parte do ano, o que desestimulou investimentos e reduziu o consumo das famílias.
Com crédito mais caro, empresas adiaram projetos e consumidores reduziram compras, especialmente de bens duráveis. O cenário também contribuiu para o aumento da inadimplência. Um exemplo desse impacto foi a produção de veículos automotores, que recuou 8,7% em dezembro, influenciada por paralisações e férias coletivas nas fábricas.
A Selic começou a subir em setembro de 2024, quando estava em 10,5% ao ano, e chegou a 15% em junho de 2025, como resposta à inflação persistente. O objetivo foi conter a alta de preços, ainda que com efeitos colaterais sobre a atividade econômica.
Mesmo com a economia mais lenta, o mercado de trabalho resistiu. O país encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica, segundo dados divulgados pelo próprio IBGE, amenizando parte dos impactos da desaceleração industrial.
