Haddad diz que liquidação do Banco Master pode revelar maior fraude bancária do país
Ministro da Fazenda afirma que governo acompanha o caso de perto, dá respaldo ao Banco Central e destaca impacto sobre recursos públicos via Fundo Garantidor de Crédito
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (13) que o governo federal acompanha de perto o processo de liquidação do Banco Master e avaliou que a gravidade das suspeitas levantadas pode caracterizar um dos maiores escândalos da história do sistema financeiro nacional. Segundo ele, o Ministério da Fazenda tem dado respaldo integral ao Banco Central na condução do caso.
“O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”, declarou Haddad. O ministro ressaltou que, apesar da necessidade de firmeza na proteção do interesse público, o governo também assegura espaço para o direito de defesa. “É preciso agir com rigor, mas garantindo que todas as formalidades legais sejam respeitadas e que a defesa possa se manifestar”, afirmou.
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Haddad disse manter contato frequente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, responsável pela decretação da liquidação do banco. Segundo o ministro, as informações técnicas que embasaram a decisão são consistentes e seguem critérios rigorosos adotados pela autoridade monetária.
“O trabalho do Banco Central é muito bem fundamentado. Há um esforço técnico sólido para esclarecer os fatos e proteger o sistema financeiro”, disse Haddad, ao reforçar a confiança do governo na atuação do órgão regulador.
O ministro também relatou ter tratado do assunto com o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo. De acordo com Haddad, há alinhamento institucional sobre os próximos passos da apuração, especialmente no que diz respeito à análise de documentos relacionados à liquidação do banco.
Para o titular da Fazenda, a coordenação entre Banco Central, TCU e demais órgãos de controle é essencial para que o país tenha acesso à totalidade das informações. “O objetivo é conhecer a verdade, apurar responsabilidades e, se for o caso, buscar o ressarcimento dos prejuízos causados”, afirmou.
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Haddad destacou ainda que os efeitos do episódio não se restringem a investidores privados. Segundo ele, a liquidação do Banco Master acionou o Fundo Garantidor de Crédito, que conta com recursos de instituições públicas. “O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal respondem por cerca de um terço da capitalização do FGC”, ressaltou, ao classificar o caso como de interesse direto da sociedade.
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central após a identificação de uma grave crise de liquidez e de indícios de irregularidades em operações envolvendo o Banco de Brasília. As transações incluem a venda de carteiras de crédito bilionárias que estão sob suspeita de fraude.
