Guarapuava não tem mamografia e mulheres precisam viajar até Curitiba para exame, denuncia deputada
Parlamentar afirma que falta de gestão municipal levou à suspensão de atendimentos; Estado teria ofertado 750 exames, considerados insuficientes
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Secom Guarapuava
A falta de exames de mamografia em Guarapuava levou mulheres a precisarem se deslocar até Curitiba para realizar o procedimento, segundo denúncia feita pela deputada estadual Cristina Silvestri durante sessão da Assembleia Legislativa do Paraná nesta segunda-feira (27). O caso expõe falhas na organização da rede de saúde local e levanta questionamentos sobre a gestão dos serviços básicos de prevenção no município.
Ao subir à tribuna, a parlamentar relatou ter recebido diversas reclamações ao longo da última semana. Segundo ela, mulheres que buscaram atendimento foram informadas de que não há oferta de mamografia na cidade e, por isso, estão sendo encaminhadas para a capital.
“Como deputada, fui questionada: vou perder um dia de trabalho, deixar meus filhos sem quem cuide, para fazer um exame essencial em Curitiba?”, afirmou.
De acordo com a deputada, a situação não decorre de falta de recursos estaduais, mas de ausência de contratualização por parte da Secretaria Municipal de Saúde de Guarapuava com hospitais e clínicas especializadas. “Eu achei tão absurdo que fui buscar informações. E é verdade”, disse.
Ainda segundo o relato, o governo do Estado teria disponibilizado cerca de 750 exames de mamografia ao município, número considerado insuficiente diante da população local, estimada em cerca de 190 mil habitantes.
Impacto direto na prevenção
A mamografia é o principal exame para detecção precoce do câncer de mama, doença que, quando diagnosticada em estágios iniciais, apresenta maiores chances de cura. A interrupção ou dificuldade de acesso ao exame compromete diretamente políticas públicas de prevenção.
A deputada também afirmou que os problemas não se limitam à mamografia. Segundo ela, há atrasos em exames de pré-natal, o que pode afetar o acompanhamento adequado de gestantes, além do cancelamento de consultas e exames laboratoriais para pacientes crônicos e idosos.
“Um simples exame de colesterol não está sendo realizado”, afirmou.
Pedido de explicações
Diante das denúncias, a parlamentar protocolou um requerimento solicitando esclarecimentos formais à Secretaria Municipal de Saúde de Guarapuava. O objetivo é entender os motivos da falta de atendimento e cobrar providências para a regularização dos serviços.
A deputada afirmou que continuará acompanhando o caso. “Não podemos aceitar um absurdo desse na saúde de Guarapuava”, declarou.
Até o momento, não houve manifestação oficial da prefeitura sobre os apontamentos feitos na tribuna da Assembleia.
Contexto
A situação ocorre em um cenário de pressão crescente sobre o sistema público de saúde, especialmente em serviços de média complexidade, como exames especializados. Falhas na contratualização e gestão local podem interromper o acesso mesmo quando há recursos disponíveis em nível estadual ou federal, criando gargalos que recaem diretamente sobre a população.
Créditos: Redação
