Copel Horta

Governo anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

Plano Brasil Soberano 3 amplia financiamento a exportadores e inclui setores estratégicos atingidos por barreiras comerciais e conflitos internacionais

Por Gazeta do Paraná

Governo anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA Créditos: Divulgação/Porto de Santos

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (22) uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito destinadas a empresas afetadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos e por outros impactos do cenário internacional. A medida foi apresentada no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% aplicada pelos norte-americanos sobre parte dos produtos brasileiros exportados.

O pacote prevê recursos subsidiados para apoiar empresas exportadoras, fornecedores e setores considerados estratégicos para a economia nacional. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve atingir cerca de 15% da pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 5,8 bilhões.

A nova fase do programa foi autorizada por uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e amplia o uso de recursos do Tesouro Nacional em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro e R$ 5 bilhões do banco público.

Os financiamentos poderão ser utilizados para capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e abertura de novos mercados. As taxas variam conforme a finalidade do crédito, chegando a 3% ao ano para projetos relacionados a minerais críticos e a 9,8% ao ano para capital de giro de grandes empresas.

Além das empresas diretamente prejudicadas pelo tarifaço norte-americano, o programa ampliou o alcance para setores afetados por conflitos internacionais e para áreas consideradas estratégicas para o comércio exterior brasileiro. Entre os segmentos incluídos estão agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, mineração, fertilizantes, indústria química, farmacêutica, têxtil, automotiva, máquinas, equipamentos e materiais elétricos e eletrônicos.

A legislação também permite que os recursos sejam usados para adequações exigidas pelo mercado internacional, como normas sanitárias, ambientais, rastreabilidade e padrões de conformidade.

Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o plano não se limita ao crédito e também prevê mecanismos de proteção às empresas. Segundo ele, o programa inclui seguro garantia para pequenas empresas afetadas pelas mudanças no comércio internacional.

O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que setores como madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas, equipamentos, calçados e açúcar estão entre os mais impactados pelas tarifas dos Estados Unidos. Ele também disse que o programa poderá atender empresas afetadas por novas medidas protecionistas em estudo pelo governo norte-americano.

Apesar do anúncio do pacote financeiro, o governo brasileiro afirmou que continua buscando uma solução diplomática para o impasse comercial com os Estados Unidos. A avaliação da equipe econômica é de que a decisão norte-americana teve motivação política, mas Brasília pretende manter as negociações abertas e evitar medidas imediatas de retaliação.

Criado para apoiar empresas diante das primeiras barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o Plano Brasil Soberano já acumulou três etapas. A primeira, em agosto de 2025, destinou R$ 30 bilhões; a segunda, em março de 2026, liberou R$ 21 bilhões; e a nova fase acrescenta outros R$ 18,5 bilhões para reduzir os impactos sobre a economia brasileira.

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