Golpes “espirituais”: como falsos curandeiros tiram milhares de reais de vítimas vulneráveis e por que você precisa ficar de olho
Condenação judicial detalha como grupo explorou a fé e o medo da vítima para exigir dinheiro e bens sob promessa de purificação espiritual, causando prejuízo estimado em R$ 250 mil
Por Gazeta do Paraná
Créditos: IStock
A Justiça de São Paulo condenou um grupo de falsos curandeiros que enganou uma mulher por meio de supostos rituais espirituais, em um esquema que resultou em prejuízo estimado em cerca de R$ 250 mil. A decisão, detalhada pelo site Migalhas, reconhece que os acusados se valeram da fé e da vulnerabilidade emocional da vítima para aplicar um golpe sofisticado, travestido de prática espiritual.
Segundo os autos, os réus convenceram a mulher de que ela estaria cercada por “energias negativas” e que apenas rituais específicos poderiam protegê-la de tragédias, doenças e perdas. Para isso, exigiam que ela entregasse dinheiro, joias e outros bens, que seriam supostamente utilizados em cerimônias de purificação — mas que, na prática, eram desviados pelos criminosos.
Rituais como fachada para o crime
De acordo com a sentença, não se tratava de uma prática religiosa legítima, mas de uma estrutura organizada para enganar, desde o discurso utilizado até a repetição dos pedidos de valores cada vez mais altos. O Judiciário entendeu que houve dolo desde o início, ou seja, a intenção de obter vantagem financeira ilícita já estava presente quando os rituais foram oferecidos.
O julgamento destacou ainda que a vítima foi induzida a acreditar que, se não seguisse rigorosamente as orientações dos falsos curandeiros, sofreria consequências graves. Esse tipo de pressão psicológica foi determinante para que ela continuasse entregando bens ao longo do tempo.
Estelionato e abuso da boa-fé
A condenação enquadrou a conduta como estelionato, ressaltando que a liberdade religiosa não pode ser usada como escudo para práticas criminosas. Para o Judiciário, ficou claro que os réus simularam atos espirituais apenas para criar um ambiente de confiança, explorando o medo e a fragilidade emocional da vítima.
O entendimento reforça uma linha já consolidada em decisões recentes: a fé é protegida pela Constituição, mas a fraude, ainda que disfarçada de ritual religioso, não é tolerada.
Casos semelhantes se repetem pelo país
Embora o caso analisado pelo Migalhas seja um dos mais expressivos em valores, ele não é isolado. Reportagens recentes mostram que golpes semelhantes continuam sendo aplicados em diferentes regiões do país, sobretudo contra idosos.
Em Boituva, no interior de São Paulo, uma idosa perdeu mais de R$ 4 mil após ser convencida por um falso curandeiro de que precisava pagar por um ritual de proteção espiritual. Em outro caso, na capital paulista, um idoso entregou R$ 7 mil em espécie a um estelionatário que prometia “benzer” o dinheiro e multiplicá-lo, mas desapareceu com as economias da vítima.
Esses episódios reforçam o padrão identificado pela Justiça: promessas de cura, proteção ou prosperidade, acompanhadas de pedidos financeiros e de isolamento da vítima, são sinais recorrentes desse tipo de golpe.
Alerta às vítimas e familiares
Autoridades e especialistas alertam que golpes baseados em falsas curas costumam evoluir de forma gradual. O criminoso começa com valores baixos, cria um vínculo de confiança e, aos poucos, passa a exigir quantias maiores, sempre associadas a ameaças espirituais ou promessas milagrosas.
A recomendação é clara: qualquer pedido de dinheiro, joias ou bens em nome de rituais deve ser visto com extrema cautela. Em caso de suspeita, a orientação é procurar familiares, registrar boletim de ocorrência e buscar apoio jurídico.
Créditos: Redação com agências
