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Polícia prende médico Felipe Lucas após novas denúncias de abuso em consultas ginecológicas Créditos: Sandro Nascimento/Alep

Polícia prende médico Felipe Lucas após novas denúncias de abuso em consultas ginecológicas

Ex-prefeito de Irati foi preso preventivamente em Curitiba; investigação aponta suposto padrão de abusos contra pacientes ao longo de décadas e cita caso durante trabalho de parto

O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (6), acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante um atendimento em Teixeira Soares, na região Central do Paraná.

A nova denúncia surgiu após a mulher tomar conhecimento de outros casos semelhantes envolvendo o profissional. Em abril, três mulheres da cidade de Irati procuraram a Polícia Civil relatando supostos abusos cometidos pelo médico durante consultas ginecológicas. Duas delas decidiram denunciar depois que o primeiro caso ganhou repercussão pública.

Segundo o delegado Rafael Nunes Mota, responsável pelas investigações, o novo relato aponta que o abuso teria ocorrido enquanto a paciente estava em trabalho de parto, durante um exame realizado antes do nascimento do bebê.

De acordo com a Polícia Civil, o caso foi enquadrado como estupro de vulnerável. A investigação sustenta que a mulher estaria em condição de vulnerabilidade no momento do atendimento, sem possibilidade efetiva de resistência diante da situação.

Felipe Lucas foi localizado e preso em Curitiba. A prisão é preventiva, ou seja, sem prazo determinado. Em razão da idade do investigado, porém, existe a possibilidade de conversão da medida em prisão domiciliar.

Em nota enviada ao G1, a defesa do médico afirmou considerar a prisão ilegal e classificou as acusações como falsas. Os advogados também alegaram que o fato citado pela nova denunciante estaria prescrito e afirmaram que o médico pretende comprovar inocência ao longo do processo.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontam que os relatos apresentados pelas vítimas possuem semelhanças e indicariam, segundo os investigadores, um suposto padrão de comportamento mantido ao longo de décadas.

O delegado afirmou ainda que muitas mulheres teriam evitado denunciar anteriormente por receio da influência do médico na região. Além da atuação profissional, Felipe Lucas teve carreira política em Irati, onde foi vereador, prefeito e deputado estadual.

A polícia suspeita que o ginecologista se aproveitava da relação de confiança estabelecida com as pacientes para cometer atos libidinosos sob a justificativa de procedimentos médicos.

O primeiro caso denunciado envolve uma mulher de 24 anos, moradora de Teixeira Soares, atendida pelo médico no início de fevereiro deste ano em uma unidade de saúde de Irati.

Ela procurou a delegacia uma semana após a consulta. Em depoimento, afirmou que demorou para denunciar devido ao forte abalo emocional provocado pelo episódio e pela tentativa inicial de lidar sozinha com o trauma.

A vítima relatou ter sido submetida a “massagens íntimas” durante o atendimento. Segundo o depoimento, enquanto ela permanecia despida na mesa de exames, o médico teria interrompido o procedimento para atender uma ligação telefônica pessoal, permanecendo ao telefone por cerca de cinco minutos, situação que aumentou o constrangimento.

Durante a investigação desse primeiro caso, a Polícia Civil ouviu profissionais da saúde, testemunhas, a vítima e o marido dela, que aguardava na recepção no momento da consulta.

O filho da mulher, de cinco anos, também passou por escuta especializada. Conforme a investigação, a criança estava presente durante o atendimento, mas teria sido orientada pelo médico a permanecer de costas para o procedimento.

A primeira denúncia levou Felipe Lucas a se tornar réu pelo crime de violação sexual mediante fraude. Já os outros dois relatos registrados em Irati não poderão gerar novas ações penais porque, segundo a polícia, os casos já prescreveram.

O pedido de prisão preventiva foi respaldado pelo Ministério Público do Paraná e encaminhado ao Tribunal de Justiça do Paraná.

Na época das primeiras denúncias, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que abriria sindicância para apurar os fatos envolvendo o profissional.

Felipe Lucas atua na medicina desde 1975 e possui registro ativo no CRM-PR. Especializado em ginecologia e obstetrícia, ele foi homenageado em 2024 pelo conselho médico pelo chamado “Jubileu de Ouro”, reconhecimento concedido a profissionais com 50 anos de carreira.

Além da trajetória na medicina, o ginecologista também teve atuação política em Irati. Ele foi vereador, prefeito do município nos anos 1990 e exerceu dois mandatos como deputado estadual. Em 2020, ainda disputou as eleições como candidato a vice-prefeito, mas não foi eleito.

Com informações do G1

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