“Frangogate”: documentos revelam elo entre imóveis, benefícios fiscais e contratos no governo do Paraná
Ex-deputado apresenta documentos e sugere padrão envolvendo compras de terras por aliados do governo em momentos-chave de decisões administrativas
Por Gazeta do Paraná
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Uma denúncia realizada pelo ex-deputado estadual Homero Marquese joga luz sobre um conjunto de operações imobiliárias que, segundo ele, podem configurar um dos maiores escândalos recentes do Paraná. Na gravação, o ex-parlamentar apresenta documentos e sustenta que integrantes do governo de Ratinho Júnior teriam adquirido imóveis rurais em operações cercadas de coincidências com benefícios fiscais e contratos públicos.
Logo na abertura, o tom é direto e sem margem para suavização. “Governador Ratinho Júnior, está na hora do senhor começar a esclarecer essa história para a população do Paraná ou o senhor vai perder a autoridade moral de governar esse estado”, afirma.
Marquese batiza o caso de “Frangogate” e afirma que há um padrão que se repete. Segundo ele, empresas ou intermediários compram imóveis rurais e, pouco tempo depois, repassam essas propriedades a pessoas ligadas ao governo pelo mesmo valor, sem aparente ganho financeiro.
“Nós temos visto aqui que, nos últimos anos, um grupo de pessoas que comandam o governo estadual, incluindo o próprio governador e seu chefe de gabinete, adquiriram imóveis rurais na região oeste do estado”, diz.
A suspeita ganha peso quando ele associa essas operações a decisões administrativas do governo. “Essas aquisições têm uma peculiaridade interessante porque elas acontecem em momentos muito próximos à concessão de benefícios fiscais pelo governo Ratinho Júnior a algumas empresas”, afirma.
Um dos casos citados envolve a cidade de Iporã. “Em 2021 o governo estadual concedeu benefício fiscal a uma empresa na cidade de Iporã, que adquiriu um imóvel rural em 2022 e alguns meses depois revendeu esse imóvel para um grupo de compradores que incluía o próprio governador pelo mesmo preço que ela havia adquirido”, declara.
A linha narrativa se intensifica quando o ex-deputado apresenta o que chama de “terceiro imóvel”, ligado ao presidente da Investe Paraná, José Eduardo Bequim.
“Agora eu revelo a história de um terceiro imóvel relacionado ao José Eduardo Bequim”, afirma.
Segundo ele, a operação ocorreu em junho de 2025. “Uma filha do Bequim e possivelmente a sua esposa adquiriram um imóvel rural na cidade de São Jorge do Patrocínio. Esse imóvel havia sido adquirido pelo vendedor apenas quatro dias antes e ele comprou esse imóvel e repassou à filha do Bequim pelo mesmo valor da compra”, relata.
O nome do vendedor também é destacado e vinculado a contratos públicos. “O nome dele é Abner Alves de Almeida. Abner Alves é o presidente do Conselho de Administração de uma empresa que é controladora de outra empresa que naquele ano venceu uma licitação de R$ 18 milhões da Sanepar”, afirma.
O ponto mais sensível da denúncia está na sequência dos fatos. “A licitação foi realizada em fevereiro daquele ano. O contrato, no entanto, só foi assinado em agosto daquele ano depois das duas operações envolvendo o imóvel”, diz.
Ao longo do vídeo, Marquese sustenta que não se trata de episódios isolados, mas de um possível padrão estruturado. “Por que que membros do seu governo, nos últimos anos, passaram a adquirir imóveis rurais na região noroeste? Por que que essas operações correspondem à concessão de benefícios fiscais a empresas pelo seu governo ou à contratação de empresas pelo seu governo?”, questiona.
Ele também aponta um elemento recorrente que, segundo ele, merece investigação. “Por que que nessa história sempre tem alguém que faz a intermediação da venda, comprando antes o imóvel e revendendo pelo mesmo valor?”, afirma.
A cobrança final é direta e amplia a pressão institucional. “Eu exorto a Assembleia Legislativa e os órgãos de controle, em especial o Ministério Público, a começarem a cumprir o seu papel e a passar limpo essa história. Afinal de contas, o paranaense merece saber como o seu Estado está sendo governado”, diz.
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