Ex-deputado Boca Aberta é condenado a mais de 16 anos de prisão em Londrina
Decisão da 3ª Vara Criminal também condenou Mara Boca Aberta a seis meses; casal é candidato nas eleições de 2026, apesar de estar inelegível por decisão da Justiça Eleitoral
Créditos: Divulgação
O ex-vereador de Londrina e ex-deputado federal Emerson Miguel Petriv, conhecido como Boca Aberta, foi condenado pela 3ª Vara Criminal de Londrina a 16 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, além de 2.508 dias-multa, pelos crimes de desacato, injúria e calúnia contra servidores públicos. A sentença estabelece regime aberto. A mulher dele, Marly de Fátima Ribeiro, a Mara Boca Aberta, foi condenada a seis meses de prisão. Os dois podem recorrer.
A condenação está relacionada a episódios ocorridos em maio de 2025, quando Boca Aberta teria ofendido e ameaçado o procurador-geral da Câmara Municipal de Londrina, Miguel Angelo Aranega Garcia. Segundo a denúncia, o ex-deputado o chamou de “vagabundo” e “bandido”, além de acusá-lo de receber propina e afirmar que “sua hora vai chegar”.
Na sequência, Boca Aberta teria discutido com o vereador Claudinei Pereira dos Santos, o Santão, a quem dirigiu uma série de ofensas. Segundo o processo, o parlamentar, que é policial rodoviário federal, chegou a pegar uma algema para dar voz de prisão ao ex-deputado. Boca Aberta, porém, teria entrado em uma agência da Caixa Econômica Federal.
Ainda conforme a denúncia, as ofensas continuaram dentro da agência bancária. O ex-deputado também teria atacado verbalmente uma assessora do vereador. Após ser encaminhado à Central de Flagrantes da Polícia Civil, Boca Aberta teria sido novamente alvo de manifestação de Marly, que chamou Santão de “covarde”.
O processo também considera 24 postagens feitas por Boca Aberta no Facebook e no Instagram entre 16 de maio e 2 de junho de 2025. Nas publicações, ele teria feito novas ofensas contra Santão e divulgado imagens e salários de cinco assessores da Câmara, acusando-os de crimes.
Candidaturas
A nova condenação ocorre em meio à movimentação eleitoral do casal. Boca Aberta aparece como candidato a deputado federal, enquanto Mara Boca Aberta disputa uma vaga de deputada estadual.
Os dois, porém, foram declarados inelegíveis pela Justiça Eleitoral, juntamente com o filho do casal, Matheus Vinicius Ribeiro Petriv. A decisão, proferida em 2025, estabeleceu oito anos de inelegibilidade, até 2030.
O caso envolve a eleição de 2022, quando Boca Aberta tentou registrar candidatura ao Senado pelo PROS, mas não conseguiu o registro. Mesmo assim, segundo a Justiça Eleitoral, ele teria realizado campanha e impulsionado as candidaturas do filho e de Mara.
O TRE-PR entendeu que houve utilização irregular de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, com potencial para desequilibrar a disputa eleitoral. Mara declarou ter recebido R$ 1,24 milhão em recursos públicos para a campanha.
Histórico de cassações
Boca Aberta acumula ainda um histórico de cassações. Em 2017, teve o mandato de vereador de Londrina cassado pela Câmara Municipal por quebra de decoro parlamentar. Posteriormente, conseguiu disputar uma vaga de deputado federal após decisão do TRE-PR e foi eleito.
Em agosto de 2021, porém, o Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato de deputado federal. A decisão considerou que a cassação anterior por quebra de decoro parlamentar gerava inelegibilidade pela Lei da Ficha Limpa.
O jornalismo da Gazeta do Paraná abre espaço para a defesa de Boca Aberta.
Foto: Divulgacão
