MPPR cobra realocação de 104 famílias que vivem em área de alto risco em Rio Branco do Sul
Cerca de 800 pessoas vivem sem infraestrutura básica em área de preservação permanente; Ministério Público pede aluguel social e reassentamento definitivo
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O Ministério Público do Paraná (MPPR) ajuizou uma ação civil pública para obrigar o Município de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, a garantir condições básicas de segurança e moradia para 104 famílias que vivem na localidade conhecida como Pinheirinhos, no bairro Madre. Aproximadamente 800 pessoas estão instaladas em áreas de preservação permanente e em locais classificados como de alto risco ambiental.
A ação foi proposta pela 2ª Promotoria de Justiça de Rio Branco do Sul após investigações apontarem omissão do poder público na garantia de infraestrutura e de direitos básicos aos moradores.
Segundo o MPPR, as famílias vivem sem serviços públicos essenciais. O abastecimento de água e energia elétrica ocorre por meio de ligações precárias e clandestinas, com mangueiras e extensões de fios. As residências também não possuem sistema regularizado de saneamento. Parte dos dejetos é lançada em um rio próximo, enquanto outras casas utilizam fossas sépticas construídas pelos próprios moradores, cuja eficiência é considerada duvidosa.
A comunidade também enfrenta problemas de iluminação pública e pavimentação. O risco é agravado pela ocorrência de deslizamentos de terra que já atingiram algumas residências.
A situação de vulnerabilidade social é considerada extrema. Conforme informações levantadas durante a investigação e reconhecidas pela própria Administração Municipal, a renda per capita das famílias não ultrapassa R$ 210. A maioria dos domicílios é chefiada por mulheres, além da presença significativa de idosos e pessoas com deficiência.
O MPPR aponta que a precariedade da região também dificulta o acesso dos moradores ao mercado formal de trabalho. Muitas famílias dependem de atividades informais, aposentadorias por invalidez ou benefícios sociais para garantir a subsistência.
Providências
Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público afirma ter realizado diversas tentativas de solucionar a situação administrativamente. Foram encaminhadas recomendações e apresentadas propostas para a assinatura de termos de ajustamento de conduta, mas, segundo a Promotoria, as medidas não foram suficientes para resolver o problema.
Na ação civil pública, o MPPR pede que o Município providencie imediatamente a retirada provisória das famílias das áreas de risco e a transferência para locais seguros. A medida deverá ser acompanhada do pagamento contínuo de aluguel social para todas as famílias atingidas, até que seja concluído o reassentamento definitivo.
O Ministério Público também solicita o levantamento de todas as famílias que vivem nas áreas consideradas de maior risco no bairro Madre, com o cadastramento dos moradores e o registro das respectivas condições socioeconômicas.
Outra medida requerida é a apresentação de um cronograma para a desapropriação de uma área considerada segura, seguida da realização de licitação e da construção e entrega de novas moradias para as famílias.
A ação busca garantir que os moradores deixem uma região marcada por riscos ambientais e pela falta de infraestrutura e tenham acesso a condições adequadas de habitação e segurança.
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