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EUA ampliam pressão comercial e propõem novas tarifas para 60 países, incluindo o Brasil

Governo Donald Trump quer impor sobretaxas de até 12,5% a dezenas de parceiros comerciais sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado; Brasil já enfrenta outra proposta de tarifa de 25%

Por Gazeta do Paraná

EUA ampliam pressão comercial e propõem novas tarifas para 60 países, incluindo o Brasil Créditos: Reuters

O governo dos Estados Unidos ampliou sua ofensiva comercial contra parceiros internacionais e propôs a aplicação de novas tarifas sobre importações provenientes de 60 países e blocos econômicos, entre eles o Brasil. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e tem como justificativa supostas falhas desses países no combate à entrada de produtos produzidos com trabalho forçado em suas cadeias produtivas. 

Pela proposta apresentada nesta terça-feira (3), o Brasil poderá ser alvo de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos exportados para o mercado norte-americano. A sobretaxa faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento frequentemente utilizado por Washington para contestar práticas consideradas desleais no comércio internacional. 

O anúncio ocorre apenas um dia após outra iniciativa do governo Donald Trump atingir diretamente os produtos brasileiros. Na segunda-feira (2), o USTR já havia proposto uma tarifa adicional de 25% sobre diversas exportações do Brasil, alegando que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal prejudicam empresas norte-americanas. 

A nova investigação tem alcance ainda maior. Dos 60 países e economias analisados, 15 receberiam uma tarifa extra de 10%, enquanto o Brasil foi incluído no grupo de 45 países sujeitos à cobrança de 12,5%. Segundo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a avaliação do governo é que diversos parceiros comerciais não estariam adotando medidas suficientes para impedir a circulação de mercadorias produzidas com mão de obra forçada. 

Apesar do endurecimento da política comercial, a proposta prevê uma ampla lista de exceções. Produtos considerados estratégicos para a economia americana ou de difícil substituição permaneceriam isentos das novas tarifas. Entre eles estão café, carne bovina, algumas frutas, terras raras, determinados metais, produtos farmacêuticos, fertilizantes e peças aeronáuticas.

A medida ainda não entrou em vigor. O governo norte-americano abriu um período de consulta pública para receber manifestações de empresas, entidades e governos interessados. Os comentários poderão ser enviados até o início de julho, e audiências públicas estão previstas para os próximos dias antes da decisão final.

O novo movimento reforça a escalada das tensões comerciais entre Washington e Brasília. Nos últimos meses, a gestão Trump tem ampliado as críticas a políticas econômicas brasileiras e aumentado a pressão sobre setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos. Para especialistas em comércio exterior, a sucessão de investigações e ameaças tarifárias indica que a disputa ultrapassa questões econômicas e passa a integrar a agenda geopolítica da Casa Branca para a América Latina. 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp