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Bloqueio no Estreito de Ormuz: OMI negocia saída de 3.200 navios em meio à alta do petróleo

Organização Marítima Internacional (OMI) busca retirar embarcações bloqueadas pelo Irã. Crise afeta 20% do petróleo mundial e gera impasse diplomático entre potências ocidentais e o governo dos Estados Unidos

Bloqueio no Estreito de Ormuz: OMI negocia saída de 3.200 navios em meio à alta do petróleo Créditos: Claudio Neves/Portos do Paraná

A Organização Marítima Internacional anunciou que pretende negociar a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz para retirar navios e tripulações que permanecem retidos no Golfo Pérsico em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

A proposta foi apresentada pelo secretário-geral da entidade, Arsenio Dominguez, ao fim de uma reunião extraordinária de dois dias do conselho da organização, realizada em Londres.

“Estou pronto para começar a trabalhar imediatamente nas negociações destinadas a estabelecer um corredor humanitário para evacuar todos os navios e marítimos retidos”, afirmou.

Ligada à Organização das Nações Unidas, a OMI estima que cerca de 20 mil tripulantes estejam atualmente a bordo de aproximadamente 3.200 embarcações impedidas de deixar a região. O bloqueio foi imposto pelo Irã como resposta a ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

Segundo Dominguez, a viabilização do corredor depende da cooperação internacional. “Para que isso se concretize, precisarei da compreensão, do empenho e, acima de tudo, de ações concretas por parte de todos os países envolvidos, bem como do setor e das agências relevantes da ONU”, disse.

Pressão internacional

Em meio à crise, governos de França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram uma declaração conjunta nesta quinta-feira (19) afirmando disposição para contribuir com a reabertura da rota marítima.

“Manifestamos nossa disposição em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se empenhando no planejamento preparatório”, diz o comunicado.

O documento, no entanto, não detalha como seria feita a liberação da via. A posição surge poucos dias após esses mesmos países recusarem participar diretamente das ações conduzidas por Estados Unidos e Israel para reabrir o estreito, o que gerou reação do presidente Donald Trump.

Impacto global

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas energéticas do mundo, por onde passam cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. O bloqueio tem provocado instabilidade nos mercados financeiros e impulsionado a alta do preço do barril, com reflexos diretos na economia internacional.

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