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STF derruba por unanimidade ‘emenda Master’ de Hugo Motta e impõe revés ao Congresso

Corte considerou inconstitucional dispositivo que obrigava seguradoras e entidades de previdência a investir parte de suas reservas em créditos de carbono. Medida era alvo de questionamentos por supostamente beneficiar interesses ligados ao caso Banco Master

Por Gazeta do Paraná

STF derruba por unanimidade ‘emenda Master’ de Hugo Motta e impõe revés ao Congresso Créditos: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade derrubar a chamada “emenda Master”, dispositivo incluído na legislação por iniciativa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que obrigava seguradoras, entidades abertas de previdência complementar, sociedades de capitalização e resseguradoras a direcionar parte de suas reservas técnicas para investimentos em ativos ambientais e créditos de carbono.

A decisão representa uma derrota significativa para o Congresso Nacional e encerra uma das mais controversas discussões legislativas surgidas a partir das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. O dispositivo havia sido incorporado ao marco regulatório do mercado de carbono e previa originalmente a aplicação mínima de 1% das reservas dessas instituições em ativos ambientais. Posteriormente, o percentual foi reduzido, mas continuou sendo alvo de contestação judicial.

A ação foi apresentada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), que argumentou que a medida impunha uma obrigação sem justificativa técnica a um segmento específico da economia. O relator do caso, ministro Flávio Dino, acolheu os argumentos da entidade e concluiu que a norma violava o princípio constitucional da isonomia ao impor encargos apenas a determinados agentes econômicos que não possuem relação direta com a emissão de gases de efeito estufa. Seu entendimento foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte.

O julgamento ganhou repercussão nacional porque a emenda passou a ser associada às investigações sobre o Banco Master. Críticos da proposta sustentavam que a obrigação criada por lei garantiria um fluxo bilionário de recursos para empresas ligadas ao mercado de créditos de carbono, setor em que atuam companhias vinculadas à família Vorcaro.

O senador Renan Calheiros, que conduz investigações sobre o caso Master no Senado, chegou a afirmar que a medida seria ainda mais grave do que a chamada “emenda Master” atribuída ao senador Ciro Nogueira. A diferença, segundo ele, é que a proposta de Hugo Motta efetivamente foi aprovada pelo Congresso e transformada em lei.

Durante o debate público sobre o tema, também surgiram questionamentos envolvendo operações financeiras realizadas por familiares ligados ao círculo político de Hugo Motta. O presidente da Câmara, contudo, negou qualquer relação entre sua atuação parlamentar e negócios privados de terceiros, sustentando que a emenda foi resultado de acordo político construído durante a tramitação do projeto do mercado de carbono.

Com a decisão unânime do STF, o dispositivo deixa de produzir efeitos e o mercado de seguros e previdência fica desobrigado de realizar os investimentos compulsórios previstos na norma. O julgamento também reforça o entendimento da Corte de que políticas ambientais, embora legítimas, não podem impor obrigações arbitrárias a setores econômicos sem demonstração de vínculo direto com os objetivos perseguidos pela legislação.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp