Empresa denunciada por fraude nas urnas por Trump atuou no Brasil em 2014
O TSE sempre sustentou que o papel da Smartmatic era estritamente operacional:
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A Smartmatic, a empresa que a Casa Branca aponta como parte do esquema de fraude eleitoral do regime de Nicolás Maduro na Venezuela, também prestou serviços à Justiça Eleitoral brasileira. Foi em 2012 e, principalmente, em 2014 — no ano da reeleição mais apertada da história recente do Brasil.
Documentos desclassificados pela CIA, anunciados por Donald Trump, mostram que o chavismo dispunha de mecanismos para alterar até 1,5 milhão de votos por meio de um esquema que envolvia o CNE, o SEBIN, o DGCIM — e a Smartmatic. A empresa é a mesma que, oito anos antes, integrava o consórcio contratado pelo Tribunal Superior Eleitoral para dar suporte técnico às urnas em todo o território brasileiro.
O contrato brasileiro, batizado de ESF — formado pela Smartmatic em parceria com as empresas nacionais Engetec e Fixti —, previa o recrutamento e o treinamento de cerca de 14 mil técnicos, que atuaram nos 5.568 municípios do país. A tarefa oficial: preparo, testes funcionais e manutenção das urnas, garantindo que estivessem operacionais no dia da votação.
Foi justamente em 2014 que Dilma Rousseff venceu Aécio Neves pela margem mais estreita de uma eleição presidencial brasileira desde a redemocratização — 51,64% a 48,36%, uma diferença de 3,5 milhões de votos. O resultado apertado levou o PSDB a pedir uma auditoria formal às urnas eletrônicas, alegando que o sistema era, em parte, "inauditável". A auditoria não encontrou indício de fraude, e a própria cúpula tucana — incluindo o vice de Aécio na chapa — reconheceu publicamente a vitória de Dilma e negou ter feito qualquer acusação de fraude.
O TSE sempre sustentou que o papel da Smartmatic era estritamente operacional: manutenção física das urnas, revisão de baterias, entrada de dados e atualização de software embarcado — procedimentos padronizados, executados por técnicos com formação básica em microinformática, sem qualquer acesso à programação do sistema de votação, que é desenvolvido e mantido inteiramente por servidores da própria Justiça Eleitoral.
A empresa nunca fabricou nem forneceu urnas eletrônicas ao Brasil — isso sempre coube a outros fornecedores (Unysin/Diebold à época, e hoje a Positivo Tecnologia). Em 2020, a Smartmatic tentou voltar ao país, disputando uma licitação para fornecimento de urnas em consórcio, mas perdeu para a proposta mais barata da Positivo. Não há, desde então, nenhum contrato ativo entre a empresa e o TSE.
Fica a pergunta que os documentos da CIA reacendem: uma empresa com capacidade comprovada, em outro país, de alterar até 1,5 milhão de votos — quanto dessa mesma capacidade esteve, ainda que só na manutenção das máquinas, dentro do sistema eleitoral brasileiro em 2014?
Créditos: Oswaldo Eustáquio
