Créditos: ERNESTO BENAVIDES e Connie FRANCE / AFP
Eleição no Peru terá Keiko Fujimori e Roberto Sánchez no 2º turno
Júri Nacional de Eleições confirmou os resultados do pleito deste domingo (17). Filha de Alberto Fujimori disputará a presidência pela quarta vez contra ex-ministro de Pedro Castillo em 7 de junho
O Júri Nacional de Eleições (JNE) do Peru oficializou neste domingo (17) o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais realizadas no país. Com isso, a candidata da direita, Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, e o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, avançaram para o segundo turno, marcado para 7 de junho.
O terceiro colocado na disputa, Rafael López Aliaga, do Renovación Popular, contestou o resultado divulgado pelas autoridades eleitorais e passou a alegar fraude no processo eleitoral.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e principal liderança do Fuerza Popular, terminou a votação realizada em 12 de abril com 17,1% dos votos válidos. Já Roberto Sánchez, ex-ministro do governo de Pedro Castillo, ficou na segunda colocação com 12% dos votos.
Rafael López Aliaga apareceu logo atrás, com 11,9%, diferença de 21.209 votos em relação a Sánchez. Após o anúncio oficial, o candidato passou a questionar a legitimidade da apuração e liderou manifestações em Lima pedindo a realização de novas eleições.
A conclusão da contagem oficial levou mais de um mês por conta de problemas logísticos registrados no dia da votação. Segundo autoridades eleitorais, falhas operacionais atrasaram a abertura de seções eleitorais e obrigaram a ampliação do horário de votação, situação considerada incomum no país.
As divergências entre os órgãos responsáveis pelo processo eleitoral também provocaram desgaste institucional. Antes da divulgação do resultado final, o chefe da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), Piero Corvetto, deixou o cargo.
Esta será a quarta tentativa de Keiko Fujimori de chegar à Presidência do Peru. Durante a campanha, a candidata defendeu medidas mais rígidas na área de segurança pública, incluindo a criação de “juízes sem rosto” para julgamento de organizações criminosas e a retirada do país da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Do outro lado da disputa, Roberto Sánchez adota um discurso alinhado ao do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022. Entre as propostas do candidato estão a elaboração de uma nova Constituição e maior participação do Estado no controle de recursos naturais.
Sánchez também responde a acusações do Ministério Público relacionadas a supostas irregularidades em declarações de doações de campanha. O candidato nega qualquer ilegalidade.
A eleição peruana contou ainda com acompanhamento internacional. Observadores enviados pela União Europeia acompanharam o processo eleitoral e divulgaram relatório preliminar apontando que as autoridades eleitorais atuaram com transparência e neutralidade, sem identificar indícios generalizados de fraude ou irregularidades no pleito.
