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El Niño pode elevar preços dos alimentos e pressionar inflação no Brasil

Impacto sobre produtos in natura pode chegar a quase 20% em cenário de El Niño forte, segundo estudo do Rabobank

Por Gazeta do Paraná

El Niño pode elevar preços dos alimentos e pressionar inflação no Brasil Créditos: Rafa Neddermeyer

Os brasileiros podem enfrentar uma nova pressão sobre os preços dos alimentos nos próximos meses. Um estudo do Rabobank aponta que os efeitos de um El Niño podem levar até seis meses para atingir o pico e provocar altas principalmente nos produtos in natura, como carnes, frutas e hortaliças.

Em um cenário de El Niño forte, os preços dos alimentos in natura poderiam subir 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio teria alta de 6,32%. Em um evento moderado, os aumentos seriam de 13,4% e 2%, respectivamente.

O impacto também deve variar conforme o tipo de alimento. As hortaliças tendem a reagir mais rapidamente às mudanças climáticas por terem ciclos de produção curtos. Já produtos semi-elaborados, como arroz e feijão, sentiriam os efeitos de forma mais gradual, principalmente pelo aumento dos custos dos insumos. Os industrializados teriam uma reação mais moderada, devido à participação de outros custos, como processamento, embalagem, transporte e comercialização.

Segundo o levantamento, um El Niño moderado poderia acrescentar cerca de 0,41 ponto percentual ao IPCA. Em um cenário forte, o impacto chegaria a aproximadamente 0,83 ponto percentual, sendo 0,53 ponto apenas pela alta dos alimentos in natura.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e pode provocar mudanças no regime de chuvas. No Brasil, algumas áreas podem enfrentar estiagens, enquanto outras registram volumes de chuva acima da média.

As projeções da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam atualmente 57% de probabilidade de um El Niño forte e cerca de 80% de chance de ocorrência de um evento forte até o fim do ano.

Entre os produtos que podem sofrer impactos estão milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. O leite também pode ser afetado, especialmente conforme as condições de chuva no Sul.

O estudo aponta ainda que Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém estão entre as regiões que podem registrar os maiores aumentos no curto prazo.

Apesar dos riscos, algumas áreas podem ser beneficiadas. No Nordeste, condições mais secas podem favorecer a colheita do feijão, enquanto as chuvas acima da média no Sul podem ajudar culturas de inverno.

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