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Alerta do El Niño: fenômeno pode durar até 2027 e disparar inflação Créditos: Roberto Dziura/AEN

Alerta do El Niño: fenômeno pode durar até 2027 e disparar inflação

Agência Fitch Ratings adverte que permanência do fenômeno climático até o início de 2027 deve pressionar os preços dos alimentos e elevar riscos fiscais globais

A intensificação do fenômeno climático El Niño e a possibilidade de sua permanência até o início de 2027 podem aumentar os riscos econômicos em diversos países, principalmente aqueles mais dependentes da produção agrícola e com maior fragilidade fiscal. A avaliação foi divulgada pela agência internacional de classificação de risco Fitch Ratings.

Segundo a análise, embora o fenômeno climático não deva provocar diretamente rebaixamentos de notas de crédito soberano, seus efeitos podem agravar problemas relacionados ao crescimento econômico, inflação, contas públicas e liquidez externa em países considerados mais vulneráveis.

A Fitch destaca que as economias mais expostas são aquelas classificadas nas faixas mais baixas de risco, com acesso limitado ao mercado financeiro internacional e histórico de aumento do endividamento durante períodos de crise.

Fenômeno já está instalado no Pacífico

O alerta da agência ocorre após a confirmação de que as condições do El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico tropical. Dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam que o fenômeno está em desenvolvimento e pode atingir intensidade elevada nos próximos meses.

As projeções indicam 63% de probabilidade de ocorrência de um episódio considerado muito forte. Além disso, a previsão dos centros climáticos norte-americanos aponta 96% de chance de o El Niño permanecer ativo entre o fim de 2026 e o início de 2027.

Impactos variam conforme a região

Tradicionalmente, o El Niño altera os padrões climáticos em várias partes do planeta. Enquanto algumas regiões enfrentam períodos prolongados de estiagem, outras registram chuvas acima da média histórica.

Essas mudanças costumam afetar diretamente a produção agrícola, o abastecimento de água e diferentes setores da economia.

A Fitch ressalta, no entanto, que os efeitos não são necessariamente negativos para todos os países. Em determinadas regiões, o aumento das precipitações pode favorecer as lavouras e contribuir para melhores resultados no campo.

Preço dos alimentos preocupa

Um dos principais pontos de atenção destacados pela agência está relacionado ao mercado global de alimentos.

Segundo o relatório, a agricultura mundial já enfrenta desafios provocados pelo encarecimento dos fertilizantes e pelas dificuldades de abastecimento associadas ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

Nesse cenário, a ocorrência de um El Niño prolongado pode reduzir a oferta de determinados produtos agrícolas e elevar os preços internacionais das commodities alimentícias.

A consequência seria uma pressão adicional sobre a inflação em diferentes países, inclusive em economias consideradas mais sólidas e com elevado grau de investimento.

Para a Fitch, a combinação entre eventos climáticos extremos, tensões geopolíticas e custos mais altos de produção reforça a necessidade de atenção dos governos e dos mercados aos possíveis impactos econômicos do fenômeno nos próximos meses.

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