Eduardo Bolsonaro sugere colocar Pix na mesa de negociação com os EUA e cita até substituição pelo Zelle
Deputado federal cassado defende que o Brasil use o sistema de pagamentos instantâneos como argumento nas negociações comerciais com os Estados Unidos após avanço de medidas que podem resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Marcelo Camargo/EBC
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (4) que o Brasil poderia incluir o Pix nas negociações comerciais com os Estados Unidos e chegou a mencionar a possibilidade de substituição do sistema brasileiro pelo Zelle, plataforma de transferências eletrônicas amplamente utilizada no mercado norte-americano.
A declaração foi dada durante entrevista ao portal TMC News, em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Segundo Eduardo Bolsonaro, o fato de os Estados Unidos possuírem um sistema semelhante ao Pix poderia servir como argumento para uma negociação entre os governos.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, afirmou.
Além do tema dos meios de pagamento, o parlamentar também sugeriu que o Brasil poderia utilizar recursos minerais estratégicos como instrumento de negociação. Entre os exemplos citados por ele estão as chamadas terras raras e o manganês, insumos considerados importantes para diversos setores industriais e tecnológicos.
Pressão comercial dos Estados Unidos
As declarações ocorrem após o USTR concluir uma investigação baseada na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O relatório aponta supostas práticas consideradas desleais por parte do Brasil e recomenda a aplicação de tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
Entre os pontos questionados pelos norte-americanos está a política brasileira de pagamentos eletrônicos. O documento sustenta que determinadas medidas adotadas pelo país poderiam desfavorecer empresas estrangeiras que atuam no comércio digital e no setor de pagamentos.
A avaliação de parte dos analistas, entretanto, é de que o argumento possui forte componente protecionista. O Pix se consolidou como o principal meio de pagamento eletrônico do Brasil, reduzindo significativamente a utilização de cartões de crédito e débito, mercado historicamente dominado por grandes bandeiras internacionais.
Pix e Zelle têm diferenças importantes
Embora frequentemente comparados, Pix e Zelle possuem diferenças significativas.
Criado pelo Banco Central, o Pix opera de forma integrada em praticamente todas as instituições financeiras brasileiras, permitindo transferências instantâneas 24 horas por dia, além de pagamentos por QR Code, cobranças e diversas outras funcionalidades.
Já o Zelle funciona como uma rede privada de pagamentos entre instituições financeiras dos Estados Unidos. O sistema não está disponível em todos os bancos do país e, embora as transferências sejam rápidas, a compensação financeira pode levar alguns minutos para ser concluída.
Especialistas do setor financeiro apontam ainda que o Pix possui alcance mais amplo e maior integração com serviços públicos e privados quando comparado ao modelo norte-americano.
Debate ganha dimensão política
A fala de Eduardo Bolsonaro ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O Pix, considerado uma das principais inovações do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos, passou a ser citado no debate após o governo norte-americano incluir políticas de pagamentos eletrônicos entre os temas analisados na investigação comercial.
A eventual adoção de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros ainda depende de etapas posteriores dentro do governo dos Estados Unidos, mas a discussão já mobiliza setores econômicos e políticos dos dois países.
Créditos: Redação
