Créditos: Adobe Stock
Dia Mundial do Café: Brasil lidera exportações e Paraná aposta na tradição para crescer
Bebida movimenta a economia de 8 milhões de brasileiros e se consolida no Paraná com foco na agricultura familiar e cafés especiais; produção nacional superou 54 milhões de sacas
O café, uma das bebidas mais consumidas no mundo, possui uma data dedicada à sua celebração. O Dia do Café é comemorado mundialmente em 14 de abril e marca não apenas o apreço pela bebida, mas também toda a história construída em torno do grão. A data foi instituída para valorizar o café, frequentemente chamado de “ouro preto”, e destacar sua relevância cultural, econômica e social. Trata-se de um momento simbólico para expressar a paixão por uma bebida que, além de aquecer, fornece energia para o cotidiano.
A importância do café ultrapassa fronteiras e se reflete tanto no cenário global quanto no brasileiro. Entidades representativas do setor, como a Associação Brasileira da Indústria de Café e a International Coffee Organization, contribuíram para consolidar a data como forma de reconhecimento à relevância do grão. O café desempenha papel central na economia de diversos países, sendo fonte de renda e movimentando cadeias produtivas inteiras. Nesse contexto, o Brasil ocupa posição de destaque como maior exportador mundial.
No cenário nacional, o café é considerado uma verdadeira paixão. O país figura entre os maiores produtores e consumidores da bebida. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento e da própria Abic, a produção brasileira superou 54 milhões de sacas de 60 quilos em 2024, enquanto o consumo interno atingiu 21,9 milhões de sacas. Além dos números expressivos, o Brasil se diferencia pela variedade de sabores, pela qualidade dos cafés especiais e pela adoção crescente de práticas sustentáveis nas lavouras. Toda essa cadeia produtiva é responsável por gerar emprego e renda para mais de 8 milhões de pessoas.
No Paraná, a relação com o café é marcada por tradição e transformação. A cultura cafeeira ganhou força no Norte do estado a partir do século XIX e foi determinante para o desenvolvimento regional durante décadas. Na década de 1960, o estado chegou a responder por cerca de metade da produção nacional, com mais de 20 milhões de sacas anuais. No entanto, em 1975, a chamada Geada Negra provocou perdas severas e alterou drasticamente o cenário produtivo, levando à migração do cultivo para outras regiões do país.
Apesar do impacto, a cafeicultura paranaense não desapareceu. O setor se reorganizou e segue ativo, atualmente com cerca de 8 mil produtores, dos quais aproximadamente 85% pertencem à agricultura familiar. A produção ocupa mais de 40 mil hectares distribuídos principalmente nas regiões do Norte Pioneiro, Norte Novo, Centro-Norte e Noroeste. Municípios como Carlópolis, Tomazina, Pinhalão, Ibaiti e Apucarana estão entre os principais polos produtores do estado.
Mais do que números, o café representa conexão entre pessoas, culturas e histórias. O Dia Internacional do Café também é marcado por iniciativas ao redor do mundo, com cafeterias, restaurantes e apreciadores promovendo eventos, degustações e ações especiais. A data convida à descoberta de novos sabores, ao incentivo aos produtores e à reflexão sobre a importância de uma cadeia produtiva equilibrada e sustentável.
Cada xícara carrega significados que vão além do consumo. O café simboliza acolhimento, tradição e convivência. Assim, ao celebrar a bebida, também se reconhece o trabalho no campo, a diversidade cultural e o papel do café no dia a dia de milhões de pessoas.
