Créditos: Alessandro Vieira
Área de milho cresce 31% no Paraná e segunda safra bate recorde histórico
Relatório mensal aponta que estabilidade do cereal atraiu produtores; boletim também confirma alta no preço do leite e liderança na exportação de frango
O cultivo de milho avançou significativamente no Paraná na safra 2025/2026. Dados do relatório mensal divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que a área destinada à primeira safra do cereal cresceu 31% em comparação ao ciclo anterior, passando de 278,3 mil para 364,9 mil hectares.
O aumento está relacionado, principalmente, ao comportamento do mercado agrícola. Com preços considerados mais estáveis que os da soja, o milho ganhou espaço nas propriedades rurais e se tornou uma alternativa mais atrativa para os produtores paranaenses.
A primeira safra já resultou em uma produção superior a 4 milhões de toneladas. Segundo o levantamento, o desempenho foi favorecido pela maior rentabilidade da cultura em um cenário de preços menos favoráveis para a soja.
Além do crescimento na safra de verão, o milho também ampliou sua presença na segunda safra. A área cultivada alcançou 2,9 milhões de hectares, avanço de 7% em relação ao ciclo anterior e o maior registro da série histórica no Estado.
Caso não ocorram eventos climáticos severos nas próximas semanas, a expectativa é de que a segunda safra ultrapasse 17,5 milhões de toneladas. Somadas, as duas safras podem render mais de 21 milhões de toneladas de milho no Paraná.
As geadas registradas recentemente afetaram algumas áreas da região Sul do Estado, mas, segundo a avaliação técnica do Deral, os impactos sobre a cultura do milho foram pontuais e sem reflexos significativos sobre a produção projetada.
Soja registra uma das maiores colheitas da história
Enquanto o milho avançou em área, a soja manteve um desempenho expressivo em produtividade. A safra paranaense encerrou o ciclo com produção de 21,7 milhões de toneladas, resultado que coloca a colheita entre as três maiores já registradas no Estado.
Trigo tem plantio avançado
O trigo também apresenta perspectivas positivas para a temporada. Mais de 61% da área prevista já foi semeada, e a expectativa é que a cultura ocupe cerca de 722 mil hectares em todo o Paraná.
A produção estimada é de 2,4 milhões de toneladas. Técnicos do Deral avaliam que a possibilidade de um fenômeno El Niño mais intenso no segundo semestre, com temperaturas mais elevadas e maior volume de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento da cultura e também beneficiar o plantio da próxima safra de verão.
Batata e cebola enfrentam desafios
Entre as hortaliças, a batata registrou redução de área cultivada e de produção na primeira safra. Na segunda safra, as chuvas dificultaram os trabalhos de colheita e contribuíram para uma queda estimada de 2% na produção e de 6% na produtividade.
A cultura da cebola também segue em retração. Os primeiros números da safra 2026/2027 mostram que foram plantados 212 hectares, o equivalente a 9% da área projetada de 2,4 mil hectares.
A expectativa é colher cerca de 93,3 mil toneladas a partir de outubro, dependendo das condições climáticas.
Segundo a avaliação técnica do Deral, a redução da área plantada está relacionada ao excesso de oferta registrado nos últimos anos, fator que pressionou os preços pagos ao produtor.
Apesar da diminuição da área cultivada, os avanços tecnológicos continuam elevando a produtividade. O uso de sementes híbridas, irrigação e sistemas de plantio mais modernos permitiu que a produtividade média saltasse de 26 mil quilos por hectare, em 2018, para mais de 39 mil quilos por hectare nesta safra.
Em 2024, o Paraná respondeu por 5,6% da produção nacional de cebola, ocupando a sétima posição entre os estados produtores. As regiões de Guarapuava, Irati e Curitiba concentram a maior parte da atividade.
Leite e frango apresentam desempenho positivo
O boletim semanal divulgado pelo Deral também aponta valorização da cadeia leiteira. Com menor captação pelas indústrias, o preço do leite cru pago aos produtores registrou aumento de 13% em relação à média observada em abril.
Na avicultura, o Paraná segue liderando as exportações brasileiras. Entre janeiro e abril deste ano, o Estado embarcou 791,1 mil toneladas de carne de frango, gerando receita de US$ 1,43 bilhão.
O volume exportado é 6,2% superior ao registrado anteriormente, enquanto o faturamento cresceu 4,1%. A demanda continua sendo impulsionada principalmente pelos mercados da China e do Japão, que permanecem entre os principais compradores da produção paranaense.
