Desaparecimentos de crianças e adolescentes crescem 8% em 2025, aponta Ministério da Justiça
Entre os desaparecidos em 2025, homens representam 64% do total, mas, no recorte infantojuvenil, 62% dos casos envolvem meninas
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
O aumento dos casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil chama atenção e reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas. Dados oficiais mostram que, em 2025, 28% de todas as pessoas desaparecidas tinham menos de 18 anos. Enquanto o total de desaparecimentos subiu 4% em relação a 2024, os casos envolvendo menores de idade cresceram 8%, passando de 22.092 para 23.919 registros. Comparado a 2019, quando a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas foi instituída, o número ainda é 14% menor do que os 27.730 casos registrados naquele ano.
Outro ponto relevante é a diferença por gênero. Entre os desaparecidos em 2025, homens representam 64% do total, mas, no recorte infantojuvenil, 62% dos casos envolvem meninas. Especialistas alertam que muitos desses desaparecimentos estão ligados a contextos de violência intra-familiar. “Nessas situações, os agentes do Estado precisam agir com sensibilidade para não expor novamente a criança ou adolescente, mas também não podem generalizar. O Estado tem a obrigação de buscar qualquer pessoa desaparecida, sem prejulgar a situação ou quem registra o desaparecimento”, explica uma especialista ouvida pela reportagem.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece a subnotificação nos registros oficiais, ponderando que o crescimento de 4% em 2025 em relação ao ano anterior não significa necessariamente um aumento real dos casos. Classificar as diferentes causas dos desaparecimentos é considerado um “desafio estatístico”, que depende da apuração detalhada de cada ocorrência e da padronização rigorosa das informações coletadas.
Nos últimos anos, a pasta afirma ter avançado na estruturação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, em parceria com estados e Distrito Federal. Entre as ações estão o lançamento do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, capacitação de policiais civis, coleta de material genético de familiares e campanhas de comunicação sobre desaparecimentos. Entretanto, menos da metade das unidades federativas aderiu ao cadastro nacional, o que ainda limita a abrangência e o acesso às informações consolidadas sobre os casos.
O contexto evidencia que, apesar dos avanços estruturais, a busca por crianças e adolescentes desaparecidos ainda enfrenta desafios significativos e exige atenção contínua da sociedade e do Estado.
