Setembro/2026

Daniel Vorcaro pede liberdade a Fachin após 198 dias preso

Defesa do ex-banqueiro apresenta novo requerimento ao ministro do STF após mudança na relatoria do caso Master e cita regra que prevê revisão periódica da prisão preventiva

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Daniel Vorcaro pede liberdade a Fachin após 198 dias preso Créditos: Reprodução

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro encaminha nesta sexta-feira (18) ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), um novo pedido para revogar a prisão preventiva do empresário. Vorcaro está preso há 198 dias no âmbito das investigações do caso Master.

A informação é do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Este é o segundo pedido formal apresentado pela defesa desde a prisão do ex-banqueiro, em 4 de março.

O primeiro pedido de liberdade foi apresentado em junho, mas acabou negado pelo ministro André Mendonça, que era o relator do caso Master naquele momento. Com a mudança na relatoria, o novo requerimento será analisado por Fachin.

Defesa cita revisão da prisão a cada 90 dias

A defesa fundamenta o novo pedido nas regras do Código de Processo Penal que determinam a revisão periódica da necessidade da prisão preventiva.

A legislação prevê que a autoridade responsável pela decisão deve reavaliar, a cada 90 dias, se continuam presentes os motivos que justificaram a manutenção da prisão cautelar.

A prisão de Vorcaro completou 180 dias em 31 de agosto. Caso Fachin rejeite o pedido, os advogados afirmam que pretendem recorrer ao plenário do STF.

Vorcaro fez acusações contra a Polícia Federal

O novo pedido chega depois de um depoimento prestado por Vorcaro em 27 de agosto, nas instalações conhecidas como “Papudinha”. A oitiva foi conduzida por um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça, que ainda era o relator do caso na ocasião.

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou ter sido vítima de “graves intimidações, ameaças e torturas psicológicas” praticadas por agentes da Polícia Federal durante seus traslados.

O ex-banqueiro também acusou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de impedir o avanço das negociações para um acordo de delação premiada.

Segundo Vorcaro, delegados da PF estariam se recusando a ouvir suas declarações porque as informações que pretendia apresentar poderiam envolver diretamente o diretor-geral da corporação.

O ex-banqueiro também afirmou, de maneira genérica, que pretendia colaborar com informações sobre integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As acusações feitas por Vorcaro contra agentes da Polícia Federal e contra Andrei Rodrigues foram apresentadas por ele durante o depoimento.

Depoimento gerou reação nos bastidores

O teor do depoimento e a forma como a articulação foi conduzida passaram a ser avaliados nos bastidores do Judiciário como um movimento que poderia beneficiar a relação de Vorcaro com André Mendonça, que naquele momento ainda comandava a relatoria do caso.

A avaliação, segundo a reportagem, também levou em conta o histórico de atritos entre Mendonça e Andrei Rodrigues.

O depoimento teria sido considerado pouco consistente por pessoas envolvidas na análise do caso e acabou aumentando o desgaste em torno da estratégia adotada pela defesa do ex-banqueiro.

Com a mudança da relatoria para Edson Fachin, caberá agora ao novo ministro analisar o pedido de revogação da prisão preventiva.

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