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Curi silencia sobre Greca e reforça discurso anticorrupção em meio às especulações sobre futuro político

Ausência de manifestação sobre a chapa governista chama atenção nos bastidores; publicação nas redes sociais amplia interpretações às vésperas da convenção do Republicanos

Por Gazeta do Paraná

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Curi silencia sobre Greca e reforça discurso anticorrupção em meio às especulações sobre futuro político Créditos: Orlando Kissner/Alep

A oficialização de Rafael Greca como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Sandro Alex provocou uma série de manifestações públicas de lideranças da base governista. Uma ausência, porém, passou a chamar a atenção nos bastidores da política paranaense: a do deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos).

Até o momento, Curi não publicou nem compartilhou qualquer manifestação em apoio à nova composição da chapa. O silêncio ganha relevância porque ele é apontado como um dos principais nomes do grupo governista para disputar o Senado e porque sua legenda, o Republicanos, realiza convenção nesta segunda-feira (3), quando deverá definir oficialmente seus rumos para a eleição de 2026.

No lugar de uma mensagem celebrando a aliança entre PSD e MDB, Alexandre Curi optou por publicar, em seu perfil no Instagram, uma mensagem centrada no combate à corrupção. Nas imagens, afirma que “combater a corrupção é obrigação de quem escolhe a vida pública” e destaca que “quem não combate a corrupção não pode estar na vida pública”. O conteúdo também ressalta que o combate à corrupção “não é programa de governo”, mas um requisito essencial para qualquer gestor público.

Embora a publicação não faça referência a nomes ou à disputa eleitoral, o momento em que foi feita alimentou interpretações no meio político.

 

Sinais observados nos bastidores

Fontes ouvidas pela Gazeta do Paraná afirmam que existe a possibilidade de Alexandre Curi estar dialogando com o grupo liderado pelo senador Sérgio Moro, pré-candidato do PL ao Governo do Estado. Até o momento, não há confirmação pública de qualquer negociação nem manifestação oficial das partes nesse sentido.

Ainda assim, o contexto chama atenção.

O combate à corrupção é justamente a principal bandeira política associada à trajetória de Sérgio Moro desde a Operação Lava Jato. Assim, a escolha desse tema por Alexandre Curi, exatamente no momento em que evitou comentar a consolidação da chapa governista, passou a ser vista por interlocutores políticos como um possível sinal de que as conversas especuladas nos bastidores poderiam ter algum fundamento.

Naturalmente, a publicação também pode representar apenas uma manifestação institucional sobre um tema recorrente na atuação parlamentar do deputado. Até o momento, Curi não fez qualquer declaração relacionando seu posicionamento ao cenário eleitoral.

 

Sequência de desgastes

O silêncio também é analisado à luz dos acontecimentos dos últimos meses.

Alexandre Curi foi, durante longo período, um dos nomes mais lembrados para disputar o Governo do Estado pela base aliada. A forte aproximação construída com prefeitos de praticamente todas as regiões do Paraná, especialmente por meio do programa Assembleia Itinerante, fortaleceu sua projeção estadual. Em diversos eventos públicos, prefeitos chegaram a defender abertamente seu nome para a sucessão estadual.

Apesar disso, o governador Ratinho Junior manteve indefinição durante meses entre possíveis candidatos do grupo. Primeiro, surgiram os nomes de Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca.

Posteriormente, Guto Silva passou a aparecer como favorito. O cenário mudou após uma sequência de denúncias e desgastes políticos envolvendo o então secretário, incluindo investigações jornalísticas relacionadas ao programa Olho Vivo e episódios envolvendo relatos sobre arrecadação política ligados a contratos públicos, fatos que repercutiram amplamente no debate político paranaense.

Na sequência, quando parte da base passou a acreditar que Alexandre Curi seria finalmente escolhido para liderar o projeto governista, Ratinho Junior surpreendeu ao indicar Sandro Alex como candidato ao Palácio Iguaçu.

Mesmo preterido, Curi permaneceu alinhado ao grupo político.

 

Novo desconforto

A reorganização mais recente da chapa voltou a colocar Alexandre Curi em posição secundária.

Inicialmente apontado como possível candidato ao Senado pela base governista, ele passou a dividir espaço com o crescimento da possibilidade de Álvaro Dias assumir a principal vaga da aliança, movimento reforçado pelas recentes negociações entre PSD e MDB.

Ao mesmo tempo, a confirmação de Rafael Greca como candidato a vice-governador retirou mais uma alternativa que, em tese, poderia contemplar Alexandre Curi na composição majoritária.

Para integrantes do meio político, o conjunto desses episódios ajuda a explicar o ambiente de desconforto vivido pelo deputado, embora ele próprio não tenha feito qualquer manifestação pública nesse sentido.

 

Republicanos no centro das atenções

A expectativa agora se concentra na convenção do Republicanos.

O partido tornou-se peça importante na engenharia eleitoral do grupo governista justamente após Alexandre Curi deixar o PSD para fortalecer a legenda, movimento que, à época, foi interpretado como parte da construção da candidatura ao Governo ou, ao menos, de um papel central na chapa majoritária.

Agora, diante das mudanças promovidas pelo PSD e do silêncio adotado por Curi nas redes sociais, cresce a expectativa sobre qual será sua posição política definitiva após a convenção.

Até o momento, não há qualquer anúncio oficial indicando rompimento com o grupo liderado pelo governador Ratinho Junior ou confirmação de eventual aproximação com Sérgio Moro. As interpretações decorrem exclusivamente da leitura do cenário político, do silêncio em torno da oficialização da chapa governista e de informações de bastidores relatadas por fontes ouvidas pela Gazeta do Paraná.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp