Correios entram em greve no Paraná e estatal aciona TST para tentar encerrar paralisação
Trabalhadores cruzaram os braços por tempo indeterminado; empresa adota plano de contingência para reduzir impactos sobre atendimento e entregas
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil
Os trabalhadores dos Correios no Paraná estão em greve por tempo indeterminado desde as 22h de quinta-feira (10). A paralisação, aprovada em assembleia da categoria, ocorre em meio ao impasse da campanha salarial e pode afetar serviços de atendimento, triagem e distribuição de correspondências e encomendas no Estado.
O movimento ganhou um novo capítulo com a judicialização da disputa. Os Correios acionaram o Tribunal Superior do Trabalho (TST) depois da rejeição da proposta apresentada à categoria e da decisão dos trabalhadores de manter a greve. A empresa tenta solucionar o impasse enquanto os sindicatos defendem a continuidade da mobilização.
No Paraná, a paralisação é conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR). A mobilização envolve trabalhadores de diferentes regiões do Estado, embora ainda não haja um balanço consolidado e verificável sobre o percentual de adesão em cidades como Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.
Campanha salarial
Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão recomposição salarial, preservação de benefícios, manutenção da assistência à saúde e melhorias nas condições de trabalho.
A categoria também cobra a contratação de aprovados em concurso público e manifesta preocupação com o fechamento de unidades e com a redução do quadro de funcionários.
Do outro lado, os Correios afirmam que a proposta apresentada aos trabalhadores preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo e previa reajuste equivalente a 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) sobre salários e benefícios.
A proposta, porém, não foi suficiente para evitar a paralisação.
Entregas podem ser afetadas
Para quem aguarda correspondências e encomendas, o impacto da greve pode variar conforme a adesão dos funcionários em cada unidade. Como não há, até o momento, números consolidados por município, não é possível afirmar que as entregas estejam completamente interrompidas nas principais cidades paranaenses.
Os Correios informaram que adotaram um plano de continuidade operacional para reduzir os efeitos da greve. Entre as medidas estão remanejamento de equipes, reforço em determinadas operações e ajustes logísticos.
Isso significa que a greve não representa automaticamente a suspensão de todas as entregas e do atendimento nas agências. Entretanto, atrasos podem ocorrer conforme a duração do movimento e o nível de adesão.
Impasse chega ao TST
Com a manutenção da greve, a disputa chegou ao Tribunal Superior do Trabalho. A iniciativa dos Correios busca uma solução judicial para o conflito coletivo depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada nas negociações.
A mobilização ocorre em um momento delicado para a estatal, que enfrenta dificuldades financeiras e vem adotando medidas para reorganizar sua estrutura e reduzir despesas.
No Paraná, os trabalhadores defendem que eventuais medidas de recuperação financeira não sejam feitas às custas da redução de direitos, benefícios ou das condições de trabalho.
Enquanto não há acordo, a orientação sindical é pela continuidade da greve. A situação deve ganhar maior dimensão a partir de segunda-feira (14), primeiro dia útil completo após o fim de semana desde o início da paralisação, quando será possível avaliar com maior precisão os reflexos sobre o atendimento e o fluxo de encomendas no Paraná.
Os usuários que aguardam objetos podem continuar acompanhando a movimentação das encomendas pelos canais oficiais dos Correios. A duração da paralisação dependerá agora tanto das negociações entre empresa e trabalhadores quanto dos desdobramentos da disputa no TST.
Créditos: Redação
