Copel distribui R$ 1,35 bilhão em dividendos enquanto consumidores questionam tarifas e qualidade do serviço
Companhia confirma pagamento bilionário aos acionistas em meio ao crescimento do lucro e à intensificação do debate sobre os efeitos da privatização no bolso dos paranaenses
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Copel
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) confirmou o pagamento de R$ 1,35 bilhão em dividendos aos seus acionistas, valor que será creditado em 30 de junho de 2026. O montante havia sido aprovado pelo Conselho de Administração em dezembro do ano passado e foi ratificado na Assembleia Geral Ordinária realizada em abril deste ano.
O pagamento ocorre em um momento de forte desempenho financeiro da empresa. No primeiro trimestre de 2026, a Copel registrou um EBITDA recorrente de R$ 1,754 bilhão, crescimento de 16,7% em relação ao mesmo período de 2025, além de um lucro líquido recorrente de R$ 638,9 milhões, alta de 10,7%. A receita operacional líquida recorrente alcançou R$ 6,9 bilhões.
Os números foram destacados pela própria companhia em sua apresentação de resultados aos investidores, que também aponta investimentos de R$ 581,7 milhões no trimestre e uma alavancagem financeira de 2,8 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA.
Debate sobre a privatização
Os resultados financeiros e a remuneração aos acionistas reacenderam o debate político sobre a privatização da companhia, concluída em 2023. Críticos do processo argumentam que a distribuição bilionária de dividendos contrasta com as reclamações de consumidores sobre o aumento das tarifas de energia e a qualidade do serviço prestado em algumas regiões do Paraná.
Nas redes sociais, lideranças políticas e sindicais passaram a questionar se os benefícios econômicos da privatização estão sendo revertidos para a população ou concentrados na remuneração dos investidores. Também voltou ao centro da discussão a chamada “golden share”, mecanismo criado para conceder ao Governo do Paraná poderes especiais em determinadas decisões estratégicas da empresa.
Defensores da privatização, por outro lado, argumentam que o aumento do lucro e a forte geração de caixa demonstram maior eficiência operacional da companhia, o que fortalece sua capacidade de investimento e amplia o retorno aos acionistas, entre eles milhares de pequenos investidores e fundos de pensão.
Pagamento aos investidores
O valor de R$ 1,35 bilhão corresponde a aproximadamente R$ 0,45 por ação e será pago aos investidores que detinham ações da companhia em 30 de dezembro de 2025. Desde 2 de janeiro deste ano, os papéis passaram a ser negociados na condição de “ex-dividendos”, sem direito ao recebimento desse provento específico.
Além dos dividendos, a Copel já havia distribuído cerca de R$ 1,1 bilhão em Juros sobre Capital Próprio (JCP) no início deste ano, elevando significativamente a remuneração total aos acionistas em 2026.
Créditos: Redação
