Confusão com professores na Câmara opõe vereadores e vira alvo de apuração por quebra de decoro
Presidente Tico Kuzma aciona corregedoria após episódio no plenário; Camila Gonda e Éder Borges apresentam versões opostas sobre confusão
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Rodrigo Fonseca
A sessão da Câmara Municipal de Curitiba desta segunda-feira (6) foi marcada pelos desdobramentos de uma confusão envolvendo professores, assessores e vereadores no plenário, após a Tribuna Livre da reunião anterior.
Diante da repercussão, o presidente Tico Kuzma anunciou a abertura de apuração formal. Segundo ele, a corregedoria foi acionada para avaliar possíveis condutas de parlamentares em desacordo com o Código de Ética e Decoro, além da instauração de sindicância administrativa para investigar a presença de servidores comissionados na área do plenário fora do horário regimental.
“Não podemos aceitar episódios que ultrapassem os limites do respeito e diálogo”, afirmou Kuzma, ao criticar ainda o uso do plenário como espaço de “disputas digitais” e busca por visibilidade.
Versões em confronto
O episódio ganhou dimensão pública após a divulgação de vídeos por vereadores com interpretações distintas sobre o ocorrido.
A vereadora Camila Gonda afirmou que professoras foram desrespeitadas após participação na Tribuna Livre e atribuiu ao vereador Éder Borges a origem da confusão.
“O vereador entra no meio das professoras, começa as provocações e grava vídeo para as redes sociais. Isso é uma nítida quebra de decoro”, disse. Segundo ela, o episódio teria sido uma “cortina de fumaça” para desviar o foco das críticas à educação municipal.
Camila também anunciou que pretende formalizar representação contra o parlamentar.
Já Éder Borges apresentou versão oposta. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que a confusão teve início após provocações feitas por ele ao sindicato de professores e que a situação escalou durante uma tentativa de registro de foto no plenário.
“Depois que dei uns esculachos nesse sindicato, fui tirar foto e aí foi o furdunço”, afirmou.
O vereador também acusou assessores ligados à vereadora de partirem para confronto físico. “Assessores de vereadora partindo para cima de vereador. Um verdadeiro absurdo”, declarou, ao citar diretamente o chefe de gabinete de Camila Gonda.
Além disso, Borges intensificou o tom político ao atacar o sindicato da categoria, classificando-o como “maldito sindicato pelego” e acusando a entidade de usar professores “como massa de manobra por politicagem”.
Crise expõe ambiente tensionado
O caso escancara um ambiente de forte polarização dentro da Câmara, com conflito direto entre parlamentares, envolvimento de assessores e exposição pública por meio das redes sociais.
A fala do presidente ao longo da sessão indica preocupação com esse tipo de dinâmica. Sem citar nomes, Kuzma criticou comportamentos que transformam o plenário em “palco de manifestações que priorizam visibilidade em detrimento ao interesse público”.
Medidas e próximos passos
Além da apuração pela corregedoria, a presidência sinalizou que deve adotar mudanças no funcionamento interno da Casa, especialmente quanto ao acesso ao plenário e à circulação de assessores.
Ao final da sessão, Kuzma convocou os vereadores para uma reunião reservada para tratar do tema e discutir ajustes nas regras internas.
A depender do resultado da sindicância e de eventual representação formal, o caso pode avançar para análise no Conselho de Ética, com possibilidade de sanções regimentais.
Créditos: Redação
