Créditos: Secretaria de Estado da Segurança de São Paulo
Cenipa conclui investigação sobre queda do avião da Voepass; relatório será divulgado
Investigação técnica sobre o acidente com o avião da Voepass, que caiu em Vinhedo após decolar de Cascavel, será apresentada oficialmente na quinta-feira (23)
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu a investigação sobre a queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o relatório final será apresentado na quinta-feira (23), às 17h, em Brasília e detalhará os fatores que contribuíram para um dos acidentes aéreos mais graves da aviação brasileira nos últimos anos.
Segundo a FAB, participarão da apresentação o chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Alexandre Avellar Leal, e os investigadores responsáveis pela apuração.
A corporação destacou que o relatório tem caráter técnico e tem como objetivo apontar fatores que contribuíram para o acidente e propor medidas para aumentar a segurança da aviação. O documento não atribui responsabilidade civil ou criminal aos envolvidos. Paralelamente, a Polícia Federal conduz um inquérito sobre o caso, que está em fase de conclusão.
O que apontou o relatório preliminar sobre a queda do avião da Voepass?
No início deste mês, um relatório parcial do Cenipa, revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Estadão, indicou que a queda da aeronave teria sido resultado de um conjunto de falhas envolvendo pilotos, a Voepass e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
De acordo com o documento preliminar, a companhia aérea teria ignorado falhas de segurança e operado em um contexto organizacional considerado deficiente, tolerando desvios de procedimentos e desconsiderando alertas relacionados ao sistema de degelo da aeronave, que já haviam sido registrados em voos anteriores.
O relatório também apontou que houve distração dos pilotos durante o voo que saiu de Cascavel com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a investigação preliminar, conversas informais durante momentos considerados críticos da operação aumentaram o risco da viagem.
Em relação à Anac, o documento afirma que a agência não adotou medidas capazes de reduzir os riscos, apesar de inspeções anteriores terem identificado falhas nos padrões técnicos de manutenção das aeronaves da empresa.
O que dizem Voepass e Anac sobre a investigação?
Procuradas pela Gazeta do Paraná, a Anac e a Voepass não se manifestaram sobre o conteúdo do relatório final.
Em resposta anterior à Folha de S.Paulo, a companhia informou que não comentaria os apontamentos do documento preliminar e afirmou que continua colaborando de forma transparente e diligente com as autoridades responsáveis pela investigação.
Já a Anac declarou que não teve acesso ao relatório e que só se manifestará após receber oficialmente o documento final elaborado pelo Cenipa.
Como aconteceu o acidente com o avião da Voepass?
O acidente ocorreu na tarde de 9 de agosto de 2024, quando um avião ATR 72-500 da Voepass caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior de São Paulo.
A aeronave havia decolado de Cascavel, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
As 62 pessoas a bordo, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. O avião atingiu o quintal de uma residência e alguns corpos ficaram carbonizados devido ao impacto.
Dados de rastreamento do FlightRadar24 mostraram que a aeronave perdeu aproximadamente 13 mil pés de altitude, cerca de quatro mil metros, em apenas dois minutos. Às 13h20, o avião voava a 17 mil pés e, às 13h22, estava a aproximadamente 4 mil pés, quando o sinal de GPS foi perdido.
O acidente ocorreu cerca de 20 minutos antes do horário previsto para o pouso em Guarulhos.
Falha no sistema de degelo entrou na investigação do Cenipa
Em setembro de 2024, o Cenipa divulgou um relatório preliminar informando que o comandante Danilo Santos Romano havia comunicado uma falha no sistema de degelo da aeronave durante o voo.
O documento também registrou alertas de Cruise Speed Low (baixa velocidade de cruzeiro) e, posteriormente, de Degraded Performance (desempenho degradado), condição que pode ocorrer quando o acúmulo de gelo compromete a sustentação e a capacidade de voo da aeronave.
As conclusões definitivas da investigação técnica serão conhecidas na quinta-feira, quando o Cenipa apresentará oficialmente o relatório final sobre um dos acidentes aéreos mais graves registrados no Brasil nos últimos anos.
