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Família de Rodrigo Castanheira denuncia deboche e combinação de versões após crime em Vicente Pires

Irmã do adolescente de 16 anos relata frieza de Pedro Turra e amigos na delegacia; defesa pede responsabilização de todos os ocupantes do carro por premeditação

Família de Rodrigo Castanheira denuncia deboche e combinação de versões após crime em Vicente Pires Créditos: Reprodução/Redes sociais

A família de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos que morreu após ser agredido em Vicente Pires, afirmou nesta sexta-feira (27) que amigos e parentes de Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, debocharam da situação logo após o crime e teriam combinado versões antes de prestar depoimento à polícia.

Em entrevista coletiva, a irmã do jovem, Isabela Castanheira, que é estudante de medicina veterinária, relatou o que presenciou na 38ª Delegacia de Polícia, em Vicente Pires.

“Quando eu estava lá na delegacia chorando, desesperada, a namorada do Pedro Turra ria muito. Ela e os amigos perguntavam em voz alta: ‘Por que que a vítima não está aqui?’”, contou.

Segundo ela, a frase foi dita em tom de ironia, como se Rodrigo tivesse medo de registrar ocorrência. “Falou como se o Rodrigo não tivesse coragem de ir lá prestar um boletim de ocorrência, que ele teve que mandar a família, teve que mandar os amigos. Foi uma violência para mim ouvir aquilo”, afirmou.

Isabela disse ainda que ouviu conversas que indicariam tentativa de alinhamento de versões. “Naquela delegacia, eu ouvi coisas horríveis. Eu ouvi eles combinando depoimento, então eles combinaram que o Rodrigo estava drogado, e meu irmão não usava drogas. Combinaram que ele estava de canivete, que ele estava alcoolizado, que ele chegou brigando”, relatou.

A jovem afirmou que, naquele momento, os envolvidos acreditavam que o caso não teria consequências. “Quando eu estava na delegacia, no dia 23 de janeiro, eu e minha prima ouvimos o advogado deles falando: ‘Não se preocupa, não vai dar nada, a gente está no Brasil’”, disse.

Ela também descreveu a reação ao ver Pedro Turra na delegacia. “Quando eu vi que o Pedro Turra chegou na delegacia com aquele olho vago dele, com uma cara de superioridade, eu só sabia chorar de desespero, porque o olhar de frieza dele, com a namorada rindo, o advogado combinando o depoimento…”, contou.

Para Isabela, a família ainda não conseguiu viver o luto. “A gente só vai poder viver o luto a partir do momento em que a justiça for feita. Enquanto a justiça não for feita, a gente não vai poder sentir o que a gente precisa sentir.”

Pedido para responsabilizar os demais envolvidos

Na mesma coletiva, o advogado da família, Albert Halex, afirmou que foram feitos dois pedidos à Justiça para que os outros quatro ocupantes do veículo que estavam no local da agressão também sejam responsabilizados.

Segundo ele, há indícios de premeditação. “A defesa e a família têm a convicção de que houve premeditação e todos devem ser denunciados. De fato, eles praticam o crime em bando, em várias oportunidades. Em todos os outros casos de agressão de Pedro, essas mesmas pessoas também tiveram participação, então é um modus operandi desse bando”, afirmou.

O pai do adolescente, Ricardo Castanheira, também defendeu a responsabilização dos demais envolvidos. “Ninguém estava ali por acaso, passeando. Eles sabiam que meu filho estava nessa festa, que tinha saído à 0h, foram lá e se reuniram para fazer isso com ele. Só a prisão do Pedro não é suficiente, porque ele não fez isso sozinho”, declarou.

O advogado afirmou que já solicitou providências ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. “Essa ausência de investigação dos demais envolvidos acarreta prejuízo processual e nós já fizemos esse pedido em duas oportunidades. Agora, nosso próximo passo, já marcamos um despacho com o MPDFT, para justamente fazer esse trabalho em conjunto, porque nós auxiliamos a justiça para que todos sejam investigados”, disse.

Luto e cobrança por justiça

Durante a coletiva, o pai de Rodrigo relatou o impacto da perda na rotina da família. “O coração está destruído demais. Nossa vida praticamente acabou. A gente não consegue fazer nada mais, não consegue nem comer direito. Eu perdi tanto peso que minhas roupas estão caindo”, afirmou.

Ele disse que evita contato com lembranças do filho como forma de lidar com o trauma. “Espero que um dia seja menos pior que o outro. O dia a dia não é mais o dia a dia. Não consigo ver fotos dele, não consigo ver o quarto, dou a volta para não passar na frente do colégio dele”, desabafou.

Isabela também falou sobre os planos interrompidos. “Ele era metade do meu coração e eu pensei que ele iria me ver casar. Eu vou formar este ano e ele não estará lá”, afirmou.

Pedro Turra está preso preventivamente no Complexo da Papuda. A família aguarda o avanço das investigações e a responsabilização de todos os envolvidos.

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