Cascavel prepara ofensiva contra dengue com 6 mil dispositivos de Wolbachia
Método começa a ser implantado em 19 de outubro e vai alcançar 18 bairros; estratégia reduz a capacidade do mosquito de transmitir dengue, zika e chikungunya
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Cascavel começa, a partir de outubro, uma nova etapa no combate às arboviroses. A Vigilância Ambiental vai iniciar a implantação do Método Wolbachia, estratégia que utiliza mosquitos portadores da bactéria para reduzir a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
A instalação dos primeiros dispositivos está prevista para 19 de outubro. Inicialmente, o trabalho começaria na segunda quinzena de setembro, mas o cronograma foi reprogramado.
Ao todo, aproximadamente 6 mil dispositivos de liberação de ovos (DLOs) serão distribuídos em 18 bairros de Cascavel. A escolha das regiões levou em consideração principalmente áreas que exigem maior atenção em razão do número de casos registrados.
COMO FUNCIONA
Os DLOs são pequenos recipientes plásticos, semelhantes a baldes. Dentro deles é colocada uma cápsula com ovos de mosquitos. Depois de preparados com água, os dispositivos são instalados em diferentes pontos da cidade.
Segundo a Vigilância Ambiental, os mosquitos que nascem nesses recipientes carregam a bactéria Wolbachia. Ao se reproduzirem com os mosquitos que já circulam naturalmente em Cascavel, a tendência é aumentar gradualmente a presença da bactéria na população de mosquitos.
A Wolbachia reduz a capacidade do mosquito de transmitir os vírus responsáveis pela dengue, zika e chikungunya.
O método já é utilizado em mais de 15 cidades brasileiras e também foi implantado em Foz do Iguaçu.
18 BAIRROS RECEBERÃO OS DISPOSITIVOS
A implantação em Cascavel vai contemplar 18 bairros. Entre as regiões previstas estão Brasília, Brasmadeira, Cascavel Velho, Cataratas, Centro, Floresta, Guarujá, Interlagos, Morumbi e São Cristóvão.
Os dispositivos serão instalados em árvores e vias públicas e deverão ser acompanhados semanalmente pelas equipes responsáveis.
A gerente de Vigilância Ambiental, Clair Wagner, destaca que a participação dos moradores será fundamental para o sucesso da estratégia.
“Principalmente a conscientização de que essa metodologia vem em benefício da população”, explicou.
A orientação é para que os recipientes não sejam retirados, danificados ou descartados. Caso algum dispositivo seja encontrado no chão, a recomendação é comunicar a Vigilância Ambiental para que uma equipe faça a retirada.
50 AGENTES FORAM TREINADOS
Para preparar os profissionais que atuarão na implantação, pelo menos 50 agentes de combate às endemias participaram de treinamento no mês passado.
Eles receberam orientações sobre o funcionamento da tecnologia e o correto manuseio dos dispositivos que serão espalhados pela cidade.
A Vigilância Ambiental reforça, entretanto, que o Método Wolbachia não substitui as ações tradicionais de combate ao mosquito.
A eliminação de criadouros continuará sendo necessária, especialmente com a chegada das temperaturas mais altas, período em que as condições climáticas favorecem a proliferação do Aedes aegypti.
CASCAVEL TEM 284 CASOS DE DENGUE
Conforme o último boletim divulgado pela Vigilância, Cascavel contabilizava 284 casos de dengue e oito casos de chikungunya.
Embora o período de frio tenha contribuído para um cenário epidemiológico mais tranquilo, a chegada do calor aumenta a preocupação das autoridades de saúde.
A recomendação continua sendo manter a limpeza semanal dos imóveis e eliminar qualquer recipiente ou local que possa acumular água.
MOSQUITO COM WOLBACHIA NÃO É IDENTIFICADO A OLHO NU
Uma das dúvidas sobre o método é se os moradores conseguirão identificar um mosquito que carrega Wolbachia.
A resposta é não. Visualmente, não é possível diferenciar um mosquito portador da bactéria de outro que não possui a Wolbachia.
Por isso, mesmo com a implantação da nova tecnologia, a orientação continua sendo eliminar os mosquitos encontrados dentro de casa e, principalmente, acabar com qualquer ponto de água parada.
A estratégia será, portanto, mais uma ferramenta utilizada por Cascavel para tentar reduzir a circulação da dengue, zika e chikungunya, sem substituir o trabalho diário de prevenção realizado pelos moradores e pelas equipes de combate às endemias.
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