Tribunal do Júri condena homem por dupla tentativa de homicídio em Campo Mourão
Crime ocorreu em dezembro de 2022 durante uma confraternização de amigos. Conselho de Sentença acolheu teses do MPPR e reconheceu motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas
Um homem condenado por tentar matar a ex-companheira e o namorado dela em Campo Mourão, no Centro Ocidental do Paraná, recebeu pena de 22 anos de prisão após julgamento do Tribunal do Júri realizado nesta quinta-feira (14). O crime aconteceu em dezembro de 2022 e, segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), teve motivação ligada a ciúmes e ao inconformismo com o fim do relacionamento.
De acordo com a denúncia apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça da comarca, o réu, que tinha 36 anos na época dos fatos, invadiu a casa da ex-namorada, então com 21 anos, e efetuou disparos contra ela e o atual companheiro dela, de 27 anos. As vítimas estavam reunidas com amigos em uma confraternização quando foram atacadas.
Antes da invasão, o homem teria passado em frente à residência e ameaçado o grupo ao apontar uma arma de fogo na direção das vítimas. Minutos depois, entrou no imóvel e realizou os disparos, causando ferimentos graves nos dois. Eles sobreviveram após receberem atendimento médico.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu as teses apresentadas pelo Ministério Público e reconheceu as qualificadoras de recurso que dificultou a defesa das vítimas, feminicídio tentado no caso da mulher e motivo torpe em relação ao homem baleado. Segundo a acusação, o crime foi motivado por ciúmes.
O julgamento também destacou o histórico de violência doméstica vivido pela vítima. Conforme sustentado pelo MPPR, a mulher sofria agressões e ameaças há anos e mantinha relação de dependência emocional e financeira em relação ao agressor, situação que dificultava o rompimento definitivo do relacionamento abusivo.
O caso chamou atenção durante a sessão do júri porque a vítima compareceu ao julgamento para defender o réu e tentou assumir a responsabilidade pela reação violenta do ex-companheiro, mesmo diante do histórico de agressões apontado no processo.
O Ministério Público argumentou aos jurados que o episódio fazia parte de um ciclo contínuo de violência doméstica e familiar.