Banco Central prepara PIX internacional para pagamentos entre países
BC quer interligar sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países e ampliar uso do PIX para transações internacionais
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Marcello Casal JrAgência Brasil
O Banco Central (BC) trabalha na evolução do PIX para permitir, no futuro, pagamentos internacionais de forma direta entre diferentes países, ampliando o alcance do sistema brasileiro de transferências instantâneas. A proposta está entre as funcionalidades previstas para os próximos anos e busca interligar sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes nações.
A ideia é permitir que brasileiros possam utilizar o PIX no exterior de maneira mais ampla, sem depender exclusivamente de acordos específicos entre instituições financeiras ou de soluções restritas a determinados estabelecimentos. Segundo o BC, atualmente já existem experiências de utilização do sistema em países como Argentina, Estados Unidos e Portugal, mas de forma considerada parcial.
Em alguns destinos, instituições financeiras brasileiras e estrangeiras já mantêm parcerias que permitem ao consumidor utilizar o PIX para realizar pagamentos. O modelo, porém, ainda depende de estruturas específicas e não representa uma integração internacional completa do sistema.
No funcionamento atual dessas operações, o pagamento é realizado em reais e sai instantaneamente da conta do cliente brasileiro para uma conta de uma instituição financeira no Brasil. Em seguida, essa instituição faz a remessa dos recursos ao exterior por mecanismos tradicionais, fora da infraestrutura do PIX. O estabelecimento estrangeiro recebe posteriormente o valor convertido para a moeda local.
A proposta em desenvolvimento pelo Banco Central é avançar justamente nessa integração. O objetivo é possibilitar pagamentos transfronteiriços conectando sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países, tornando as operações mais simples e ampliando as possibilidades de uso do PIX fora do território brasileiro.
O tema ganha relevância em um momento de forte expansão do sistema. Em 2025, o PIX movimentou R$ 35,36 trilhões, segundo o relatório de gestão divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10). O volume representou crescimento de 33,6% em relação a 2024, quando as transações somaram R$ 26,46 trilhões.
Novas funções
Além do PIX internacional, o Banco Central trabalha em outras funcionalidades para os próximos anos. Entre elas está o PIX em garantia, voltado à ampliação do acesso ao crédito para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado.
A proposta é permitir que recebíveis futuros de PIX sejam utilizados como garantia em operações de crédito. Na prática, valores que o trabalhador ou empreendedor espera receber por meio do sistema poderiam ser vinculados a um empréstimo, possibilitando a liberação de recursos e potencialmente condições de financiamento mais acessíveis.
Para 2026, o BC prevê avanços na cobrança híbrida, no pagamento de duplicatas escriturais por meio do PIX e no chamado split tributário, relacionado à implementação da reforma tributária sobre o consumo.
A cobrança híbrida deverá permitir que uma mesma cobrança tenha opções de pagamento por QR Code e boleto. Já a funcionalidade para duplicatas pretende facilitar o pagamento de títulos de crédito e a antecipação de recebíveis. O split tributário, por sua vez, deverá adaptar o sistema ao modelo de recolhimento de impostos em tempo real desenvolvido pela Receita Federal.
Sistema também terá novos mecanismos de segurança
O relatório divulgado pelo Banco Central também aponta discussões sobre o uso indevido do campo de mensagens das transações. Segundo a instituição, o espaço criado originalmente para informações objetivas sobre o pagamento vem sendo utilizado, em alguns casos, para mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras.
O BC criou um grupo de trabalho no Fórum PIX para discutir medidas que preservem a finalidade original do recurso.
Outra frente é a padronização do alerta de golpe. Algumas instituições já utilizam mecanismos próprios para identificar operações suspeitas e avisar os clientes antes da conclusão da transferência. O Banco Central discute critérios mínimos para tornar essa experiência mais uniforme entre as instituições financeiras.
Apesar da expansão das funcionalidades, o relatório não estabelece uma data para o lançamento do PIX internacional. A implementação dependerá do avanço das discussões e da integração entre os sistemas de pagamentos dos países envolvidos.
