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Após vender patrimônio, Copel repassa gestão da frota em negócio de R$ 100 milhões

Negócio de R$ 100 milhões transfere 724 veículos e contratos para a Movida

Por Gazeta do Paraná

Após vender patrimônio, Copel repassa gestão da frota em negócio de R$ 100 milhões Créditos: Copel

Depois de vender participações em usinas hidrelétricas, termelétricas, empresas do setor energético e colocar dezenas de imóveis no mercado, a Copel avança em mais uma etapa do processo de reestruturação iniciado após sua privatização. Desta vez, o foco deixa de ser o patrimônio imobiliário e alcança a frota utilizada pela companhia em suas operações diárias.

A Movida anunciou a aquisição dos contratos de locação de veículos vinculados à Copel e às empresas controladas pela companhia, além da compra da frota associada aos contratos. O negócio foi fechado por R$ 100 milhões e envolve 724 veículos utilizados pela empresa paranaense.

A operação foi realizada com a CS Brasil Holding, empresa do Grupo Simpar, controlador da Movida. Além da aquisição dos veículos, a locadora assumiu integralmente os contratos de locação firmados com a Copel, passando a responder pelos direitos e obrigações decorrentes desses acordos. Os efeitos econômicos da cessão passaram a ser contabilizados a partir do segundo trimestre de 2026.

Segundo informações divulgadas ao mercado, os contratos geram faturamento mensal de aproximadamente R$ 3,3 milhões para a Movida. O pagamento pela aquisição será realizado em três parcelas mensais consecutivas, sem correção monetária.

Embora a negociação tenha sido apresentada como uma operação entre empresas do setor de locação, ela representa mais um capítulo da transformação estrutural vivida pela Copel desde a privatização. Nos últimos meses, a companhia vem reduzindo gradualmente seu patrimônio próprio e ampliando a terceirização de ativos considerados não estratégicos.

Primeiro vieram as vendas de participações em empresas como a Compagás, seguida pela alienação da participação na Usina Hidrelétrica Dona Francisca, das termelétricas de Araucária e Figueira e de pequenas centrais hidrelétricas. Em seguida, a empresa anunciou a venda de 72 imóveis avaliados em cerca de R$ 296,4 milhões, incluindo sedes regionais em Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo, utilizadas para atendimento ao público e como bases operacionais das equipes de manutenção.

Agora, a reestruturação alcança também a frota utilizada pela companhia. Embora os veículos já estivessem vinculados a contratos de locação, a transferência integral da carteira para a Movida concentra em uma nova empresa toda a gestão desses ativos, ampliando a presença da iniciativa privada em atividades de apoio à operação da distribuidora.

Para a Copel, o movimento está alinhado ao modelo adotado após a privatização, que prioriza a concentração de investimentos na atividade principal e reduz a necessidade de administrar ativos considerados periféricos. A lógica é semelhante à utilizada nos demais processos de desinvestimento: liberar capital, simplificar a estrutura operacional e direcionar recursos para áreas consideradas estratégicas.

Sob a ótica da Movida, entretanto, a operação representa exatamente o movimento inverso. Ao incorporar os contratos ligados à Copel, a empresa amplia sua atuação no segmento de gestão e terceirização de frotas corporativas, considerado um dos mais estáveis do mercado por oferecer receitas recorrentes e menor risco de inadimplência, especialmente quando os clientes são grandes companhias ou empresas públicas.

A aquisição também reforça uma tendência observada em diferentes estatais e empresas de infraestrutura, que vêm substituindo estruturas próprias por contratos terceirizados em busca de redução de custos administrativos e maior flexibilidade operacional.

Apesar das justificativas relacionadas à eficiência, a sucessão de medidas adotadas pela Copel vem alimentando um debate sobre o novo perfil da companhia. Em pouco mais de três anos, a empresa deixou de vender apenas participações societárias para iniciar a alienação de imóveis históricos, bases operacionais e, agora, reorganizar também a gestão de sua frota.

Defensores da estratégia afirmam que o modelo torna a empresa mais enxuta, competitiva e focada na atividade-fim. Já críticos avaliam que a sequência de desinvestimentos e terceirizações reduz gradualmente o patrimônio físico e operacional construído ao longo de décadas, aumentando a dependência de fornecedores privados para atividades que antes eram administradas diretamente pela companhia.

A operação envolvendo os 724 veículos amplia esse movimento e demonstra que a reestruturação da Copel segue avançando para além da venda de ativos energéticos, alcançando também estruturas de suporte essenciais ao funcionamento cotidiano da empresa. O conjunto dessas medidas evidencia uma mudança profunda no modelo de gestão adotado após a privatização, com uma presença cada vez menor de ativos próprios e maior participação de empresas privadas na sustentação das operações da companhia.

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