A corrupção nunca sai de moda
Em ano eleitoral, a percepção da corrupção volta ao centro do debate nacional e expõe o desafio de transformar indignação popular em escolhas políticas capazes de fortalecer a integridade das instituições
Créditos: Assessoria
Por Fabio Oliveira - Deputado Estadual
Não é novidade para ninguém que a corrupção ainda assola o Brasil. O que chama a atenção é vê-la voltar ao centro do debate justamente às vésperas de mais uma eleição como se o brasileiro, de tempos em tempos, redescobri-se que esse problema jamais deixou de existir.
Nas eleições de 2026, o país se depara com uma velha encruzilhada bastante conhecida. A pergunta que estrutura este momento não é nova, mas nunca foi tão urgente: um país onde 59,9% da população aponta a corrupção como o principal problema nacional (AtlasIntel), conseguirá transformar indignação em escolha política? Ou se resignará, mais uma vez, à conveniência do esquecimento?
Os números são brutais. O mais recente Índice de Percepção da Corrupção, da Transparência Internacional, colocou o Brasil na 107ª posição entre 180 países, com apenas 34 pontos em uma escala de cem. A Dinamarca registra 90 pontos. Não se trata de uma diferença estatística trata-se de uma diferença civilizatória.
Enquanto democracias sólidas constroem prosperidade tendo pilares a transparência, segurança jurídica e confiança institucional, o Brasil permanece aprisionado com os mesmos vícios políticos de sempre.
E o eleitor sabe disso. No setor produtivo, 83% dos industriais paranaenses apontam a corrupção como um dos principais obstáculos ao ambiente de negócios (Sondagem Industrial/Fiep). Não é discurso ideológico — é economia real. É o investimento que não chega, o emprego que não é criado, o salário que perde valor e a empresa séria que não consegue competir com quem compra privilégios dentro do Estado.
O Brasil não normalizou a corrupção por acaso. Parte da elite política decidiu transformá-la em método de poder — e foi no Paraná que o país mais se aproximou de uma reação concreta a esse sistema.
A chamada "República de Curitiba" tornou-se o epicentro da Operação Lava Jato não por coincidência, mas por vocação institucional.
Sergio Moro e Deltan Dallagnol transformaram-se em símbolos de uma geração que acreditou ser possível romper o ciclo histórico da impunidade. Não são homens infalíveis — nenhum homem é. Mas tiveram coragem, quando coragem custava caro. E carregam até hoje algo que nenhuma campanha de marketing consegue fabricar: uma associação genuína com a integridade pública.
Esse patrimônio não pertence apenas a eles. Pertence ao Paraná. Pertence ao eleitorado conservador, cristão e trabalhador que se recusou a aceitar que "sempre foi assim" fosse justificativa suficiente para a degradação moral do país.
A corrupção tem endereço. Mora no hospital sem remédio, na estrada esburacada, na escola sem estrutura, na fila da cirurgia que nunca chega, na criança que não recebe o atendimento que o orçamento previa — e que o desvio consumiu. Não é apenas ilegalidade. É decadência moral das instituições.
O Brasil permanece entre os países com pior percepção de integridade institucional — reflexo de anos de desgaste político, descrença pública e sucessivos escândalos que corroeram a confiança da população. Nada disso acontece por acaso. A deterioração institucional é consequência de escolhas. Especialmente das escolhas feitas nas urnas.
Por isso, 2026 não será apenas mais uma eleição. Será um teste de memória coletiva e de responsabilidade moral. O filósofo francês Barão de Montesquieu, no livro O Espírito da Leis, nos lembra que : “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.”
O desafio do Brasil em 2026 será provar que a honestidade, a integridade pública e a indignação diante da corrupção ainda têm valor e ainda têm força para a sociedade brasileira.
Fabio Oliveira é especialista em gestão pública e deputado estadual
