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Quaest mostra empate entre Lula e Flávio, rejeição em alta e eleitorado resistente a mudanças no segundo turno

Os dois candidatos avançaram dois pontos desde a última pesquisa e a distância permanece igual; Flávio tem vantagem entre evangélicos, Lula se destaca entre beneficiários do Bolsa Família e 91% dos eleitores dizem ter definido o voto

Ana Zimermann · · 8 min de leitura
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL; Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição presidencial pelo PT.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL; Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição presidencial pelo PT. — Crédito: Charles Vieira/Campanha de Flávio; Ricardo Stuckert/Campanha de Lula

A 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, a nova pesquisa Quaest revela uma disputa marcada pela estabilidade das intenções de voto, pelo crescimento da rejeição aos dois candidatos e por um eleitorado que demonstra pouca disposição para mudar de escolha. Divulgado nesta quarta-feira (14), o levantamento mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro aparece com aproximadamente 51,1%, contra 48,9% de Lula. Os percentuais são calculados a partir dos números totais divulgados pela pesquisa e não representam uma tabulação oficial separada do instituto.

Embora Flávio apareça numericamente à frente, a diferença de dois pontos percentuais nos votos totais permanece dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos para mais ou para menos. O cenário é de empate técnico, sem evidência suficiente, a partir dos percentuais divulgados, para afirmar uma liderança estatisticamente consolidada. A pesquisa, encomendada pelo Grupo Globo, ouviu presencialmente 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro. O nível de confiança é de 95%. O resultado ganha importância porque é a primeira medição da Quaest após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Os dois cresceram, mas a distância não mudou

Na comparação com a última Quaest, divulgada em 3 de outubro, os dois candidatos registraram a mesma oscilação positiva. Flávio Bolsonaro passou de 44% para 46%, enquanto Lula avançou de 42% para 44%. Ambos ganharam dois pontos percentuais, mantendo exatamente a diferença registrada antes do primeiro turno. O crescimento numérico, portanto, não alterou o equilíbrio da disputa. Além disso, as variações individuais não demonstram, isoladamente, uma mudança estatisticamente significativa, considerando a incerteza amostral das pesquisas.

A principal alteração ocorreu entre os eleitores que afirmam votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas. Esse grupo diminuiu de 13% para 9%, uma queda de quatro pontos percentuais. Já os indecisos permaneceram em 1%. O movimento indica maior concentração das intenções de voto nos dois candidatos, mas não permite determinar quantos eleitores efetivamente migraram de uma opção para outra. Há ainda uma diferença metodológica importante: a pesquisa anterior simulava um segundo turno antes da votação de 4 de outubro. A atual foi realizada depois que os dois concorrentes já estavam oficialmente definidos.

Flávio se destaca entre evangélicos; Lula tem vantagem entre beneficiários do Bolsa Família

A divisão do eleitorado também aparece nos recortes por religião e participação em programas sociais. Entre os entrevistados que se declaram evangélicos, Flávio Bolsonaro registra 60% das intenções de voto, contra 28% de Lula. A diferença é de 32 pontos percentuais, mostrando uma vantagem expressiva do candidato do PL nesse segmento. 

O resultado reforça a importância do eleitorado evangélico para a candidatura de Flávio Bolsonaro, embora os percentuais não permitam afirmar que todos os integrantes desse grupo tenham comportamento eleitoral semelhante. O cenário se inverte entre os beneficiários do Bolsa Família. Nesse segmento, Lula alcança 60% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%, uma diferença de 29 pontos percentuais favorável ao presidente.

O resultado indica maior apoio ao petista entre os entrevistados vinculados ao programa federal de transferência de renda, que constitui uma das principais políticas sociais do governo. A diferença entre os dois grupos evidencia como características sociais e religiosas estão associadas a preferências eleitorais distintas. Entretanto, esses recortes não permitem estabelecer, isoladamente, as razões pelas quais cada eleitor escolhe determinado candidato. Também é importante observar que a margem de erro geral de dois pontos percentuais não deve ser aplicada automaticamente a esses segmentos. Como as subamostras são menores, a incerteza estatística específica de cada grupo pode ser maior.

Rejeição cresce para Lula e Flávio

Se as intenções de voto permaneceram próximas, a rejeição apresenta um dado relevante para compreender as dificuldades enfrentadas pelas duas candidaturas. Segundo a Quaest, o percentual de entrevistados que afirmam não votar em Lula passou de 51% para 53%. No caso de Flávio Bolsonaro, a rejeição aumentou de 51% para 54%. Assim, ambos registraram crescimento numérico da rejeição, com oscilação de dois pontos para Lula e três pontos para Flávio.

A diferença atual entre os índices é de apenas um ponto percentual, sem permitir concluir, isoladamente, que exista uma diferença estatisticamente significativa na rejeição aos candidatos. O dado revela que mais da metade dos entrevistados declara resistência a cada um dos presidenciáveis. Isso não significa que todos esses eleitores deixarão de votar, mas demonstra a dificuldade de conquistar novos apoios em uma disputa já polarizada. Também não é possível afirmar, somente com esses percentuais, que a rejeição tenha aumentado de maneira estatisticamente significativa em relação à pesquisa anterior.

Nove em cada dez dizem ter decidido o voto

Um dos indicadores mais importantes da nova Quaest está no grau de convicção do eleitorado. Segundo o levantamento, 91% dos entrevistados afirmam que sua decisão de voto está consolidada, enquanto 9% admitem a possibilidade de mudar de escolha. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro aparece com 43%, contra 42% de Lula. Outros 8% declaram voto branco, nulo ou intenção de não votar, enquanto 7% não indicam um candidato. 

A diferença entre os resultados espontâneos e estimulados mostra que a forma de apresentação da pergunta influencia a distribuição das respostas. O percentual de eleitores que ainda não cita espontaneamente um candidato, porém, não deve ser confundido com o grupo que afirma poder mudar de voto. São indicadores diferentes, que medem comportamentos distintos. A combinação de elevada convicção e pequena diferença entre os candidatos sugere uma disputa na qual alterações relativamente pequenas no comparecimento ou nas escolhas declaradas podem produzir mudanças relevantes na distribuição dos votos válidos.

Para onde vão os votos dos candidatos eliminados?

A transferência dos votos de candidatos derrotados no primeiro turno constitui outra dimensão importante da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na Quaest divulgada em 3 de outubro, ainda antes da primeira votação, o instituto investigou como os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) se comportariam em um eventual segundo turno. Entre os entrevistados que declaravam voto em Caiado, 43% escolheriam Flávio Bolsonaro e 19% votariam em Lula. Outros 36% indicavam voto branco, nulo ou ausência, e 2% estavam indecisos. Entre os apoiadores de Renan Santos, Flávio aparecia com 60%, contra 11% de Lula. Nesse grupo, 27% afirmavam que não votariam em nenhum dos dois, enquanto 2% não haviam decidido. Já entre os eleitores de Augusto Cury, 34% optavam por Flávio e 23% por Lula. A maior parcela, de 41%, declarava voto branco, nulo ou intenção de não comparecer. Os dados mostravam maior preferência numérica por Flávio Bolsonaro nos três grupos, mas também uma proporção expressiva de eleitores que rejeitavam ambas as alternativas.

É necessário, entretanto, distinguir intenção de transferência e transferência efetiva. Esses percentuais foram medidos antes do primeiro turno e não comprovam como os eleitores que realmente votaram nesses candidatos se posicionam agora. Para confirmar a redistribuição após 4 de outubro, seria necessário examinar um cruzamento da pesquisa atual entre o voto declarado no primeiro turno e a intenção de voto no segundo.

O que pode fazer a diferença até 25 de outubro?

A leitura conjunta dos resultados aponta três fatores que merecem atenção na reta final: a mobilização dos eleitores que já escolheram um candidato, o comportamento de quem admite mudar de voto e a decisão daqueles que ainda consideram votar em branco, anular ou não comparecer.

O primeiro fator é especialmente relevante porque a pesquisa mostra elevada convicção nas escolhas declaradas. Com 91% afirmando ter o voto definido, o comparecimento efetivo dos apoiadores pode ter peso importante na composição dos votos válidos.

O segundo envolve os 9% que admitem mudar de opinião. Esse grupo representa uma parcela potencialmente móvel do eleitorado, embora a pesquisa não permita afirmar para qual candidato suas escolhas poderão se deslocar.

O terceiro diz respeito aos 9% que declaram voto branco, nulo ou intenção de não votar. Como esses votos não entram no cálculo dos votos válidos, alterações nesse comportamento podem modificar a distribuição percentual entre os concorrentes, mesmo sem uma transferência direta de votos de um candidato para outro.

Os recortes por religião e participação em programas sociais acrescentam outra dimensão a essa análise. A diferença de apoio entre evangélicos e beneficiários do Bolsa Família evidencia a importância da mobilização de segmentos nos quais cada candidatura apresenta maior concentração de intenções de voto. A pesquisa não permite estabelecer qual desses fatores será determinante. Tampouco autoriza prever quem vencerá a eleição. O que os números demonstram é que, apesar da movimentação das campanhas após o primeiro turno, a Quaest ainda registra uma diferença numérica de dois pontos percentuais, a mesma observada antes da votação de 4 de outubro.

Pesquisa foi realizada em todo o país

A Quaest entrevistou 2.154 eleitores com 16 anos ou mais, entre 10 e 13 de outubro, nos 26 estados e no Distrito Federal. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08729/2026. O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro.

 

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