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Serviços recuam no Brasil, mas crescem no Paraná; estado supera média nacional em agosto, aponta IBGE

Enquanto o setor brasileiro registrou queda de 0,1%, atividade paranaense avançou 1% e teve o sétimo melhor resultado do país; no acumulado de 12 meses, porém, crescimento do estado é metade da média nacional

Ana Zimermann · · 6 min de leitura
Setor de serviços do Paraná cresceu 1% em agosto, enquanto a atividade nacional recuou 0,1%, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (14).
Setor de serviços do Paraná cresceu 1% em agosto, enquanto a atividade nacional recuou 0,1%, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (14). — Crédito: Roberto Dziura Jr./Arquivo AEN

O setor de serviços brasileiro voltou a registrar resultado negativo em agosto, mas o Paraná seguiu na direção contrária. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o volume de serviços prestados no país recuou 0,1% em relação a julho, enquanto a atividade paranaense cresceu 1% no mesmo período. Com o resultado, o Paraná alcançou o sétimo melhor desempenho entre os 26 estados e o Distrito Federal, figurando entre as unidades da Federação que contribuíram positivamente para o indicador nacional. Ao todo, 12 estados registraram retração no mês.

A diferença de desempenho, entretanto, não se repete quando a análise considera um período mais longo. No acumulado de 12 meses, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o setor de serviços do Paraná cresceu 1,1%, enquanto a expansão brasileira chegou a 2,2%. Os números revelam dois movimentos distintos: uma recuperação mais expressiva da atividade paranaense em agosto e, ao mesmo tempo, um crescimento acumulado inferior ao observado no conjunto do país.

Paraná cresce em agosto, mas fica atrás do Brasil no acumulado

Na comparação com agosto de 2025, o volume de serviços paranaense apresentou alta de 0,8%, também superior à média brasileira de 0,6%. Nesse indicador, o Paraná teve o melhor desempenho da Região Sul. Santa Catarina registrou queda de 0,2%, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou retração de 1,6%. A vantagem paranaense desaparece, porém, na comparação acumulada de 12 meses. Enquanto o estado cresceu 1,1%, Santa Catarina avançou 1,2%, o Rio Grande do Sul recuou 0,5% e o Brasil registrou expansão de 2,2%. Isso significa que, embora o Paraná tenha apresentado uma reação positiva em agosto, sua trajetória acumulada continua menos intensa do que a média nacional. O resultado de um único mês, portanto, não é suficiente para afirmar que o estado passou a crescer de forma sustentada acima do restante do país.

Tecnologia e transportes sustentam parte do crescimento paranaense

O desempenho dos diferentes segmentos ajuda a explicar o comportamento do setor no Paraná. Na comparação de agosto de 2026 com agosto de 2025, os serviços de informação e comunicação cresceram 5,4%, a maior expansão entre os grupos destacados no levantamento estadual. Os serviços prestados às famílias avançaram 3%, enquanto transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio cresceram 1,2%. Os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram aumento de 0,6%. Já no acumulado de 12 meses, os serviços de informação e comunicação registraram crescimento de 3,5%, e os transportes, serviços auxiliares e correio avançaram 1,9%.

Esses indicadores mostram que tecnologia, comunicação e atividades relacionadas ao transporte tiveram desempenho positivo, mesmo em um cenário de expansão mais moderada do conjunto dos serviços paranaenses. É importante observar que os percentuais por atividade representam variações dentro de cada segmento, e não sua contribuição direta, em pontos percentuais, para o resultado geral.

Brasil registra queda em três de cinco atividades

No cenário nacional, a retração de 0,1% em agosto ocorreu após estabilidade em julho e crescimento de 0,1% em junho, indicando perda de ritmo da atividade nos últimos meses. Três dos cinco grandes grupos pesquisados pelo IBGE registraram resultado negativo na passagem de julho para agosto. O segmento de outros serviços apresentou queda de 1%, enquanto transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 0,2%. Os serviços profissionais, administrativos e complementares também registraram retração de 0,2%.

Na direção contrária, os serviços prestados às famílias cresceram 2,1%, impulsionados por atividades como restaurantes e bufês. Os serviços de informação e comunicação permaneceram estáveis. No transporte de cargas, a queda nacional foi de 0,9%, enquanto o transporte de passageiros apresentou leve crescimento de 0,1%. Apesar do resultado negativo em agosto, o setor brasileiro ainda acumula crescimento de 1,7% nos oito primeiros meses de 2026 e de 2,2% nos últimos 12 meses.

Receita cresce mesmo com queda no volume de serviços

Outro aspecto importante da pesquisa é a diferença entre a evolução do volume de serviços e a receita nominal das empresas. No Paraná, a receita nominal aumentou 1% entre julho e agosto. Na comparação com agosto de 2025, a expansão chegou a 6,2%. No acumulado do ano, o crescimento foi de 5,4% e, nos últimos 12 meses, de 6,2%. No Brasil, mesmo com a queda de 0,1% no volume de serviços, a receita nominal cresceu 0,2% na comparação mensal. Em relação a agosto do ano passado, o aumento foi de 6,1%.

A diferença ocorre porque os indicadores medem aspectos distintos da atividade econômica. Enquanto o volume busca representar a evolução real dos serviços, descontando os efeitos dos preços, a receita nominal acompanha os valores monetários recebidos pelas empresas. Assim, um aumento da receita não significa necessariamente que houve crescimento equivalente na quantidade ou no volume real dos serviços prestados.

Turismo avança no país apesar da retração geral

Na contramão da queda nacional, o índice de atividades turísticas cresceu 2,5% em agosto, na comparação com julho. Foi o segundo resultado positivo consecutivo, acumulando expansão de 5,5% nesse intervalo. O desempenho foi impulsionado por estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que registraram crescimento de 3,5%, 3,2% e 2%, respectivamente. Com o resultado, o turismo brasileiro ficou 12,4% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia, mas ainda 1,1% abaixo do recorde histórico alcançado em dezembro de 2024. O avanço do turismo mostra que a retração nacional dos serviços não ocorreu de maneira uniforme entre as diferentes atividades econômicas.

O que os números revelam sobre a economia paranaense

A comparação entre Paraná e Brasil indica que o estado apresentou maior dinamismo no mês de agosto, especialmente quando observada a variação mensal do volume de serviços. Entretanto, o crescimento de apenas 1,1% em 12 meses, diante dos 2,2% registrados nacionalmente, demonstra que o resultado positivo mais recente ainda não foi suficiente para colocar o Paraná acima da média brasileira em uma análise de prazo mais longo. 

Também é necessário considerar que a Pesquisa Mensal de Serviços não abrange toda a atividade econômica. O levantamento acompanha empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, que atuam principalmente em serviços não financeiros, excluindo atividades como saúde e educação. Portanto, os resultados não devem ser interpretados como uma medida direta da evolução de todos os empregos, rendimentos ou estabelecimentos comerciais do estado.

A próxima divulgação da PMS, referente a setembro, está prevista para 11 de novembro. Os novos dados permitirão verificar se a expansão paranaense de agosto teve continuidade e se a retração nacional representou apenas uma oscilação mensal ou um movimento mais persistente de desaceleração.

 

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