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Polícia Civil aponta responsabilidade dos dois motoristas em acidente que matou 23 no Paraná

Inquérito sobre colisão entre ônibus da Prefeitura de Imbituva e caminhão concluiu que os dois veículos trafegavam acima do limite de velocidade; motoristas morreram no acidente

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Polícia Civil aponta responsabilidade dos dois motoristas em acidente que matou 23 no Paraná
— Crédito: Divulgação

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre o acidente que matou 23 pessoas na BR-373, em Ipiranga, nos Campos Gerais, e apontou responsabilidade dos dois motoristas na tragédia. A colisão frontal ocorreu na madrugada de 19 de agosto, no km 209 da rodovia, envolvendo um caminhão da empresa Meggatrans e um micro-ônibus da Prefeitura de Imbituva que transportava pacientes para consultas e exames.

Segundo a investigação, os dois veículos trafegavam acima da velocidade permitida no trecho. O caminhão teria invadido a pista contrária e atingido o ônibus. Ao todo, 22 ocupantes do coletivo, incluindo o motorista, e o motorista do caminhão morreram. Outras cinco pessoas, todas passageiras do ônibus, sobreviveram e ficaram feridas.

Caminhão estava acima do limite

Dados de telemetria analisados pela Polícia Civil apontaram que o caminhão trafegava a 80 km/h momentos antes da colisão. No trecho, a velocidade máxima permitida era de 60 km/h.

Os exames periciais também identificaram problemas de desgaste no veículo que comprometiam a eficiência do sistema de frenagem.

A investigação ainda identificou que o motorista do caminhão havia acessado o WhatsApp cerca de 17 minutos antes da batida. Para os investigadores, existe a possibilidade de que o condutor estivesse utilizando o celular ou distraído pelo aparelho no momento em que perdeu o controle e invadiu a pista contrária.

Ônibus também estava acima da velocidade

O micro-ônibus da Prefeitura de Imbituva também trafegava acima do limite regulamentar. De acordo com os dados extraídos do cronotacógrafo digital, o coletivo estava a 101 km/h no momento do impacto, 41 km/h acima da velocidade máxima permitida naquele trecho.

O depoimento de um dos passageiros que sobreviveram reforçou a conclusão. Segundo o relato, o ônibus havia deixado Imbituva com aproximadamente 20 minutos de atraso e o motorista conduzia o veículo de maneira apressada.

Exames toxicológicos realizados nos dois motoristas não identificaram presença de álcool ou drogas.

Polícia descarta participação de terceiro veículo

Durante a investigação, a Polícia Civil também apurou a possibilidade de um terceiro veículo ter contribuído para o acidente. A hipótese surgiu depois que um caminhão prata, que apresentava danos, foi localizado nas proximidades.

A análise das imagens e dos registros, porém, descartou a participação do veículo na colisão. Segundo a investigação, os danos eram resultado de um acidente anterior. Os ocupantes do caminhão haviam parado no acostamento para sinalizar a rodovia e auxiliar no atendimento às vítimas.

Investigação não terá consequência criminal

Como os dois motoristas apontados no inquérito como responsáveis pela dinâmica do acidente morreram na própria colisão, não haverá responsabilização criminal dos condutores.

O conjunto de provas reunido pela Polícia Civil, incluindo perícias, dados de telemetria, registros do cronotacógrafo e depoimentos, poderá ser utilizado em eventuais processos na esfera cível.

As informações do inquérito poderão subsidiar ações de reparação e indenização apresentadas pelas vítimas sobreviventes e pelos familiares das pessoas que morreram na tragédia.

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